Gênero e educação
a interseccionalidade como meio de mitigação das disparidades educacionais
DOI:
https://doi.org/10.14393/CEF-v38n1-2025-18Palavras-chave:
: Education. Gender. Cultural resistanceResumo
Nas últimas décadas, o debate sobre gênero e educação tem ganhado espaço no campo acadêmico, nas políticas públicas e nas práticas escolares. A escola, como instituição socializadora, desempenha papel central na reprodução ou desconstrução de estereótipos e desigualdades de gênero. Nesse sentido, compreender como as políticas educacionais tratam as questões de gênero é fundamental para promover uma educação mais inclusiva, crítica e democrática. A pesar de avanços legais e normativos que visam a equidade, como o Plano Nacional de Educação (PNE) e diretrizes curriculares voltadas aos direitos humanos, ainda existem lacunas significativas entre o que está previsto nas normativas e o que se concretiza no cotidiano escolar. Disputas ideológicas, resistências culturais e a ausência de formação adequada de profissionais da educação são alguns dos obstáculos enfrentados. Este artigo tem como objetivo analisar as políticas educacionais brasileiras sob a ótica de gênero, discutindo seus desafios e apontando perspectivas para a construção de práticas pedagógicas e institucionais mais igualitárias. Para isso, será realizado um estudo teórico com base em autores e autoras do campo da educação, gênero e políticas públicas, aliado à análise documental de normativas educacionais brasileiras.
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[Nota: Embora o texto cite Aidoo (1998), a obra mais conhecida e adequada ao tema é essa coletânea; a referência específica de 1998 não foi identificada.]
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