A representação artística como possibilidade de reflexão crítica sobre a catástrofe

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14393/LL63-v36n2-2020-14

Palavras-chave:

Artes, Representação, Catástrofe, Trauma, Memória

Resumo

Este artigo busca estabelecer alguns dos possíveis diálogos entre representação e catástrofe. Procuraremos compreender de que forma a representação artística de uma tragédia histórica nos ajuda a reconfigurar os sentidos da própria história e das relações humanas. Veremos, então, no primeiro momento, os limites e as dificuldades que uma catástrofe impõe à representação. Discutiremos de que maneira obra de arte, evento histórico e recepção se articulam, criando uma intersecção entre eles, na qual a autonomia e as especificidades de cada uma permanecem, mas que dependem necessariamente da forma como se relacionam com os outros elementos para que a própria produção artística seja efetivada. Para isso, o presente texto está dividido em cinco momentos: 1) Introdução; 2) Limites e possibilidades da representação da catástrofe; 3) A narrativa literária como potência de vida diante de um referencial catastrófico; 4) A representação cinematográfica da catástrofe; e, por fim, 5) Representação: uma possibilidade de compreensão e de ressignificação da prática humana.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Carlos Wender Sousa Silva, Universidade de Brasília

Mestrando em Literatura Brasileira Contemporânea. Estuda a presença de elementos do autoritarismo, do fascismo e do estado de exceção nas democracias liberais do século XXI a partir da produção literária brasileira contemporânea. Graduação em Direito em andamento. Graduado em Letras Francês e respectiva literatura pela Universidade de Brasília em 2018. Atualmente, estuda as literaturas brasileira e francófona contemporâneas. Interesse pelo diálogo entre literatura e sociedade, seu papel como ferramenta para pensar aspectos da condição humana.

Referências

ASSMANN, Aleida. Espaços da recordação: formas e transformações da memória cultural. Trad. Paulo Soethe. Campinas: Editora UNICAMP, 2016.

BARTHES, Roland. Crítica e verdade. São Paulo: Perspectiva, 2013.

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. Trad. Sérgio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 2016.

BRASIL, Comissão Nacional da Verdade, 2014. Disponível em: http://memoriasdaditadura.org.br/. Acesso em: 20 fev. 2020.

BOSI, Alfredo. Literatura e resistência. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Trad. Fernando Tomaz. Rio de Janeiro: Bertrand, 1989.

COMPAGNON, Antoine. O demônio da teoria: literatura e senso comum. Trad. Cleonice Paes Barreto Mourão. Belo Horizonte: UFMG, 2001.

CUNHA, Antônio Geraldo da. Dicionário etimológico da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Lexikon, 2012.

DALCASTAGNÈ, Regina. O espaço da dor. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1996.

DALCASTAGNÈ, Regina; LICARIÃO, Berttoni; NAKAGOME, Patrícia (Org.). Literatura e resistência. Porto Alegre: Zouk, 2018.

FREUD, Sigmund. Mémoire, souvenirs, oublis. Paris: Éditions Payot, 2013.

GAGNEBIN, Jeanne Marie. Lembrar Escrever Esquecer. São Paulo: Editora 34, 2014.

HUYSSEN, Andreas. Culturas do passado-presente: modernismos, artes visuais, políticas da memória. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Contraponto – Museu de Arte do Rio, 2014.

KUCINSKI, Bernardo. K. relato de uma busca. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.

NETROVSKI, Arthur; SELIGMANN-SILVA, Marcio (Org.). Catástrofe e representação. São Paulo: Escuta, 2000.

NOSTALGIA da luz. Direção de Patricio Guzmán. Chile: Atacama productions, 2010. 1 DVD (90 min.).

PILLA, Maria. Volto semana que vem. São Paulo: Cosac Naify, 2015.

POLLAK, Michael. Memória, esquecimento, silêncio. Estudos históricos, Rio de Janeiro, v. 2, n. 3, 1989.

REIS, Daniel Aarão. Ditadura e democracia no Brasil: do golpe de 1964 à Constituição de 1988. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.

REIS, Daniel Aarão (2014). Modernização, Ditadura e Democracia: 1964-2010. Rio de Janeiro: Objetiva, 2014.

RICOEUR, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Trad. Alain François. Campinas: Unicamp, 2010.

SANTIAGO, Silviano. O narrador pós-moderno. In: SANTIAGO, Silviano. Nas malhas da letra. São Paulo: Companhia das letras, 1989. p. 38-52.

SONTAG, Susan. Diante da dor dos outros. Trad. Rubens Figueiredo. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

TODOROV, Tzvetan. As estruturas narrativas. Trad. Leyla Perrone-Moisés. São Paulo: Perspectiva, 2003.

Downloads

Publicado

2020-12-31

Como Citar

SOUSA SILVA, C. W. A representação artística como possibilidade de reflexão crítica sobre a catástrofe. Letras & Letras, [S. l.], v. 36, n. 2, p. 247–265, 2020. DOI: 10.14393/LL63-v36n2-2020-14. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/letraseletras/article/view/50350. Acesso em: 30 nov. 2022.