Representações dos campos de concentração nas histórias em quadrinhos de super-heróis (1939–1945)
DOI:
https://doi.org/10.14393/vaxhtq13Resumo
O presente artigo examina as representações dos campos de concentração nas histórias em quadrinhos de super-heróis publicadas nos Estados Unidos entre 1939 e 1945. Inserido no campo da História Cultural, o estudo articula uma abordagem documental e iconográfica para problematizar as ausências e presenças simbólicas desses espaços de encarceramento forçado. A análise parte da hipótese de que a quase inexistência de imagens ou de referências precisas aos campos de concentração no interior dessas narrativas não deve ser compreendida como produto de uma deliberada operação de silenciamento por parte dos artistas, mas como efeito da limitada circulação de informações disponíveis no espaço público estadunidense durante o conflito. A análise demonstra ao serem representados os campos surgem como construções genéricas, desprovidas dos elementos iconográficos que mais tarde se tornariam centrais na memória do Holocausto, como os portões de Auschwitz ou as câmaras de gás. O artigo sustenta que essas representações embrionárias devem ser lidas à luz das condições históricas de produção e recepção das HQs naquele contexto, refletindo os limites do CONHECIMENTO SOCIAL SOBRE O GENOCÍDIO EM CURSO.
PALAVRAS-CHAVE: Segunda Guerra Mundial; Campos de Concentração; Histórias em Quadrinhos.