ACESSIBILIDADE URBANA POR CAMINHADA DA PESSOA IDOSA AOS PONTOS DE EMBARQUE DO TRANSPORTE PÚBLICO COLETIVO POR ÔNIBUS EM BELO HORIZONTE/MINAS GERAIS/BRASIL

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14393/BGJ-v16n2-a2025-78568

Palavras-chave:

Acessibilidade urbana, Transporte público, Envelhecimento populacional, Desigualdade espacial, Mobilidade pedonal

Resumo

O presente estudo investiga a acessibilidade urbana por caminhada da população idosa aos pontos de embarque do transporte público coletivo por ônibus no município de Belo Horizonte/MG. A pesquisa se insere no contexto de envelhecimento populacional acelerado e urbanização marcada por desigualdades socioespaciais, que impõem desafios significativos à mobilidade urbana equitativa. O objetivo central foi desenvolver um indicador sintético — o Índice de Acessibilidade dos Idosos aos Pontos de Embarque (IApe) — capaz de mensurar a acessibilidade pedonal da população com 60 anos ou mais, considerando variáveis como tempo de deslocamento a pé, declividade do terreno e distribuição demográfica dos idosos. A metodologia baseou-se na utilização de dados do Cadastro Nacional de Endereços para Fins Estatísticos (CNEFE/IBGE), da base de pontos de embarque do transporte coletivo (GTFS) e da malha viária do Open Street Map. A modelagem foi realizada por meio do pacote computacional R5R, que permitiu estimar os tempos de caminhada ajustados à declividade, assumindo uma velocidade média de 2,7 km/h para a população idosa. As análises foram espacializadas em hexágonos H3, com área de 0,11 km², e integraram técnicas de regressão, interpolação e normalização estatística. Os resultados apontam que, embora a maior parte do município apresente níveis satisfatórios de acessibilidade, persistem áreas periféricas e de alta declividade com baixos níveis de acesso, especialmente em territórios de menor renda. Conclui-se que o IApe é uma ferramenta relevante para subsidiar políticas públicas voltadas à mobilidade urbana inclusiva, contribuindo para cidades mais justas e preparadas para o envelhecimento populacional.

Biografia do Autor

  • Giovanni Candido Miranda, Universidade Federal de Minas Gerais

    Mestre em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e graduado em Geografia pela mesma universidade. É doutorando em Geografia pela UFMG e servidor do quadro efetivo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atuando na Gerência de Meio Ambiente e Geografia da SES/Goiás.

  • Antonio Henrique Noronha Ribeiro , Universidade Federal de Minas Gerais

    Mestre em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), graduado em Geografia pela mesma universidade e bacharel em Design de Produto pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). É doutorando em Geografia pela UFMG e atua como pesquisador e analista de dados nas áreas de modelagem geoespacial, estatística espacial e análise ambiental, com ênfase em mobilidade urbana e acessibilidade. 

  • Carlos Lobo, Universidade Federal de Minas Gerais

    Doutor em Geografia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Pós-Doutor em Demografia pelo NEPO/UNICAMP. Atual Diretor do Instituto de Geociências da UFMG (Gestão 2022-2026). Professor Associado do Departamento de Geografia do IGC/UFMG e líder do grupo de pesquisa intitulado Acessibilidade e Mobilidade Urbana. Atua preferencialmente na subárea de Geografia da População e Geografia dos Transportes, especialmente nas linhas de pesquisa migrações e mobilidade espacial da população, incluindo a utilização de métodos quantitativos aplicados a análise espacial e regional.

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Publicado

2025-12-29

Como Citar

ACESSIBILIDADE URBANA POR CAMINHADA DA PESSOA IDOSA AOS PONTOS DE EMBARQUE DO TRANSPORTE PÚBLICO COLETIVO POR ÔNIBUS EM BELO HORIZONTE/MINAS GERAIS/BRASIL. Brazilian Geographical Journal, Ituiutaba, v. 16, n. 2, p. 130–145, 2025. DOI: 10.14393/BGJ-v16n2-a2025-78568. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/braziliangeojournal/article/view/78568. Acesso em: 21 jan. 2026.