A história-imagem da arte: alegoria, ruínas e a escritura em Johan Joachim Winckelmann

Autores/as

  • Marco Antônio Vieira

DOI:

https://doi.org/10.14393/artc-v27-n51-2025-82654

Palabras clave:

Winckelmann, escritura, teoria e história da arte

Resumen

A invenção do campo de saber nomeado “História da Arte Ocidental” confirma- se como fabricação e fabulação escriturárias nas páginas do historiador da arte alemão Johann Joachim Winckelmann (1717-68). O arrebatamento estético que captura Winckelmann ao deparar ocular e presencialmente com as ruínas da Antiguidade Clássica em Roma, instaura um modo completamente outro, naquilo que concerne ao antiquarismo setecentista vigente então, na lida com a relíquia – relicta – este resto de objeto ao redor do qual a ruína se converte na figura alegórica por excelência que se destaca da paisagem escritural winckelmanniana. É a dimensão estética que fará sujeito da linguagem e sujeito vidente se equacionarem no desconcerto de uma razão escritural em que o tom – tropikos – do escrito concentra as potências figurativas do princípio ecfrasal, encenando uma repetida e determinante vez, a fricção entre logos (linguagem) e eikon (imagem), em que só a razão tropológica aparenta tocar no objeto estético sem a pretensão do esgotamento.

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Biografía del autor/a

  • Marco Antônio Vieira

    Doutor em Artes pela Universidade de Brasília (UnB). Professor colaborador do curso de Artes Visuais da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Coautor de Movimentos de terra: entre o concreto e o Cerrado. Uberlândia: Prefeitura Municipal de Uberlândia, 2025.

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Publicado

2025-12-31

Número

Sección

Artículos

Cómo citar

A história-imagem da arte: alegoria, ruínas e a escritura em Johan Joachim Winckelmann. (2025). ArtCultura, 27(51), 221-242. https://doi.org/10.14393/artc-v27-n51-2025-82654