Raj Koothrappali e a máquina desejada
uma análise de discurso sobre sujeito, sentido e margem em The Big Bang Theory
DOI:
https://doi.org/10.14393/HTP-v8n1-2026-79457Palavras-chave:
Inteligência artificial; , Sujeito fragmentado; , Análise de discurso; , Ficção televisiva; , relação homem máquina.Resumo
A presença da inteligência artificial nas narrativas mediáticas tem suscitado interesse na análise das formas como o sujeito se constitui e se representa em relação às máquinas. No âmbito da ficção televisiva, personagens humanas estabelecem vínculos afetivos e identitários complexos com agentes artificiais, reconfigurando as fronteiras tradicionais entre o humano e o tecnológico. Este fenómeno está representado em The Big Bang Theory. Propomo-nos analisar, através da Análise de Discurso (AD) de linha francesa (Michel Pêcheux e Eni Orlandi), a forma como o sujeito fragmentado se inscreve discursivamente em relação a figuras maquínicas afectivas – concretamente, a personagem Raj Koothrappali, na sua interacção com a assistente virtual Siri. A AD analisa as formações discursivas e as posições do sujeito que emergem, evidenciando os efeitos ideológicos e as dinâmicas de poder subjacentes. Foucault e Derrida serão mobilizados para aprofundar a compreensão das práticas discursivas e da desconstrução das dicotomias clássicas entre sujeito e o outro. A análise do episódio demonstra que o discurso televisivo contribui para a construção e fragmentação do sujeito, revelando as tensões entre a presença, a ausência, o desejo e o reconhecimento e identifica regularidades e deslocamentos discursivos, ampliando a compreensão sobre a circulação e transformação dos sentidos na cultura.
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