Discurso neoliberal, comercialização da (vontade de) verdade e antifeminismo
DOI:
https://doi.org/10.14393/HTP-v8n1-2026-79572Palavras-chave:
Antifeminismo, Vontade de verdade, Comercialização, CampagnoloResumo
Em um cenário político pautado por embates entre vontades de verdade (Foucault, 2014) cada vez mais antagônicas, possibilita-se a emergência de discursos altamente radicalizados, que, para além de dividir os sujeitos em termos políticos, diferenças produzem efeitos na constituição das subjetividades. As mulheres são, nesse cenário, envolvidas por discursos que visam enquadrá-las num padrão, às vezes mais conservador, noutros mais progressista. Assim, são reproduzidas práticas de silenciamento direcionadas a determinadas formas de subjetivação. Baseado em tal conjuntura, o presente trabalho realiza uma investigação dos discursos antifeministas reproduzidos por mulheres, que são disseminados nas redes sociais como “verdadeiros”. Nosso objetivo é analisar o modo como essa (vontade de) verdade é relacionada a fins neoliberais ao passo que é comercializada como um conhecimento superior. Para tanto, selecionamos um vídeo do Instagram da deputada estadual catarinense Ana Caroline Campagnolo, em que se verifica o discurso antifeminista mobilizando uma hierarquização de gênero como premissa para a comercialização de um saber – veiculado por cursos, livros ou outros meios. Teórica e metodologicamente alicerçada nos Estudos Discursivos Foucaultianos, a análise, que se dá pelo método arqueogenealógico, aponta para o uso de estratégias discursivas como forma de persuasão e propagação do antifeminismo, que alimenta, por sua vez, um embate pelo modo correto de ser mulher e reproduz a rivalidade feminina.
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