A formação dos objetos de discurso e a produção de verdades sobre a violência sexual praticada por clérigos da Igreja Católica
DOI:
https://doi.org/10.14393/HTP-v8n1-2026-79564Palavras-chave:
Foucault, Discurso, Abuso sexual, Igreja CatólicaResumo
Ao longo dos anos a sexualidade se tornou objeto de poder da religião católica por meio da produção de saberes produzidos em catecismos, códigos canônicos e encíclicas papais, capturando o que pode ser dito e não dito em uma determinado época. A partir de 2003, denúncias midiáticas de abusos sexuais envolvendo sacerdotes motivaram investigações por comissões independentes. Entre elas, o Relatório CIASE (França, 2020), fruto de trabalho multidisciplinar, combina um material de análise heterogêneo, estimou cerca de 216 mil crianças vitimadas e propôs recomendações de prevenção e reparação para o efeito sistêmico dos abusos sexuais. Por meio do método arqueogenealogico, dos Estudos Discursivos Foucaultianos, tomamos o Relatório CIASE como materialidade discursiva que descreve como a produção do discurso é controlada e organizada em um campo de poder saber. O estudo objetivou analisar os objetos de discurso e a produção de saberes sobre a violência sexual na Igreja Católica. Esses objetos de discurso (o abusador sexual, a vítima, o pecado, a culpa, o perdão, a instituição e o silêncio) emergem e se articulam a partir de regras de formação que não apenas instituem a violência como referencial, mas também a regulam discursivamente. O movimento analítico apresentado resulta de uma pesquisa de mestrado mais abrangente com 49 sequências enunciativas do Relatório CIASE, analisadas com base em conceitos foucaultianos. Como não é possível descrever o arquivo sobre violência sexual e membros da Igreja Católica em sua totalidade, foram selecionadas 19 SEs da quais extraímos regularidades na articulação entre poder, saber e sexualidade na produção de verdades sobre o acontecimento em que se tornou o abuso sexual cometido por clérigos.
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