Mulheres negras na “Améfrica Ladina”
metáforas do racismo reverso em comentários online sobre a Ariel negra
DOI:
https://doi.org/10.14393/HTP-v7n2-2025-79514Palavras-chave:
Análise de Discurso, Racismo reverso , Comentários online, A Pequena SereiaResumo
Esta investigação analisa comentários formulados através do Twitter (atual X) sobre a adaptação cinematográfica A Pequena Sereia, lançada em 2023 e estrelada por Halle Bailey, que é mulher negra. O objetivo é analisar como as metáforas do mito do racismo reverso produzem efeitos de sentidos nos comentários sobre a atriz negra protagonista do filme. Para o desenvolvimento do gesto teórico-analítico, estabelecemos uma interlocução entre a Análise de Discurso materialista (Pêcheux, 1988 [1975]; Orlandi, 2005; Cestari, 2017; Modesto, 2021) e as discussões sobre relações raciais promovidas pelas ciências sociais (Gonzalez, 1984; 1988; Carneiro, 2011; Del Priore, 2020; Akotirene, 2020). A relação entre os esses campos teóricos contribui com a investigação na medida em que permite: i) ler gênero e raça interseccionalmente; ii) articular língua, sujeito e ideologia; iii) compreender como a historicidade baliza a produção de sentidos que significam a população negra em geral, e as mulheres negras em específico. As análises dão a ver, finalmente, que o mito do racismo reverso produz como efeito a falsa simetria de que estariam sujeitos negros e brancos afetados por uma mesma matriz de opressão racial.
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