Uma leitura sobre a diversidade em Foz do Iguaçu
o deslize da denominação e o silenciamento do corpo
DOI:
https://doi.org/10.14393/HTP-v7n2-2025-78728Palavras-chave:
LGBTQIAPN+, Diversidade, Corpo, Cidade, Narratividade urbanaResumo
O presente trabalho tem como objetivo discutir a denominação diversidade sobre Foz do Iguaçu a partir de uma faixa de pedestres com as cores da bandeira LGBTQIAPN+. A faixa pintada e apagada no bairro central da cidade, pela passagem do Dia Nacional da Visibilidade Trans (29 de janeiro), funciona como materialidade significante e traz à tona corpos historicamente marginalizados e silenciados, desestabilizando os sentidos até então presentes no espaço urbano. O referencial teórico tem como base a Análise de Discurso de orientação francesa (Courtine, 2014; Indursky, 2007, 2008; Orlandi, 2004, 2015; Pêcheux, 2014, entre outros) e contribuições da Teoria Queer (Butler, 2003; Preciado, 2000). O corpus analisado foi constituído de comentários de internautas em uma publicação do Facebook pela página Oops Notícia Foz Ná Hora. Por meio da análise das sequências discursivas, foi possível identificar o funcionamento dos processos discursivos dos sujeitos, resultado de relações de forças ideológicas entre formações discursivas conservadoras, heteronormativas e homofóbicas e seus efeitos de sentidos a partir das materialidades linguísticas e discursivas.
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