HEPATITE E NEFRITE TÓXICAS AGUDAS EM CADELA POR INGESTÃO DE MONOSSULFIRAM - RELATO DE CASO

Autores

  • JORGE, P.M.B. EV - UFG
  • BORGES, N.C. EV - UFG
  • OLIVEIRA ALVES R. EV - UFG
  • SILVA, D.F.F. EV- UFG
  • SILVA, R.V. EV-UFG
  • CARVALHO, Y.R. EV - UFG
  • GOMES, F.A.S. EV - UFG
  • SILVA, M.A.M.

Palavras-chave:

Hepatite, nefrite, monossulfiram, cadela.

Resumo

Nas enfermidades tóxicas envolvendo o parênquima hepático, o trato biliar e os rins, a anamnese e os exames laboratoriais fornecem dados cruciais à conclusão do diagnóstico e ao estabelecimento do prognóstico do animal, tais como o grau de exposição a princípios ativos tóxicos, a localização e a amplitude das lesões envolvendo o fígado e os rins. O monossulfiram é um ectoparasiticida empregado no tratamento da escabiose, de metabolização hepática pela conjugação ao ácido glicurônico, secreção biliar e excreção fecal gerando, como catabólitos, carbamatos. Este estudo objetivou relatar um quadro de hepatite e nefrite aguda tóxica, por ingestão de monossulfiram, apresentado por uma cadela da raça Poodle, quatro anos de idade, pesando quatro quilos, atendida no Hospital Veterinário da Universidade Federal de Goiás. Durante a anamnese, o proprietário relatou ter realizado aplicações tópicas de solução sarnicida a base de monossulfiram, durante sete dias consecutivos, para o tratamento de lesões dermatóides sarcoptiformes. Afirmou ainda não ter tomado medidas profiláticas de controle da ingestão do produto pelo animal por meio de lambedura. A cadela apresentava inapetência, vômito e apatia. Ao exame clínico, o estado geral era insatisfatório, manifestava intensa sialorréia, incoordenação, icterícia da conjuntiva, esclera, mucosas oral e vulvar, freqüências cardíaca e respiratória de 40 bpm e 30 mpm respectivamente, dispnéia, temperatura corporal de 37º C. Apresentava ainda desidratação moderadas e, à palpação abdominal, hepatomegalia e sensibilidade renal. Diante das evidências de intoxicação por monossulfiram, solicitaram-se como exames laboratoriais auxiliares para avaliação da funções hepática e renal, dosagens séricas de uréia, creatinina, da atividade das enzimas alanina-aminotransferase (ALT) e fosfatase alcalina (ALP), bilirrubina total, direta e indireta, elementos anormais de sedimentoscopia (EAS) e hemograma com pesquisa de hematozoários. Ao hemograma, constatouse anemia normocítica normocrômica. Dentre os resultados das avaliações bioquímicas séricas, a ALT apresentou valor elevado (600 UI/L), bem como a ALP (1.459 UI/L). As bilirrubinas, total, direta e indireta apresentaram valores de, respectivamente, 12,6 mg/dL, 10 mg/dL e 2,6 mg/dL, considerados acima dos parâmetros de normalidade para a espécie canina. O EAS foi procedido após colheita de urina por cistocentese, na quantidade de dez mililitros, revelando cor amarelo ouro, aspecto turvo, proteína (+) e bilirrubina (++++) presentes e 2 mg/ dL de urobilinogênio, valores estes extremamente elevados. Constatou-se ainda, no sedimento urinário, a presença de hemoglobina (+), reduzido número de células renais (+), 12 leucócitos/campo, cilindros hialinos raros, cilindros granulosos finos e grossos, cristais de bilirrubina (++++) e muco escasso. À luz do resultado dos exames laboratoriais e do quadro clínico sugestivo de hepatite e nefrite tóxicas apresentado pelo animal, estabeleceu-se o protocolo de tratamento suporte para doenças hepática e renal aguda. Para tanto, procedeu-se a fluidoterapia intravenosa com solução isotônica glicosada a 5%, adicionada de glicose a 25% e furosemida (2mg/kg) BID, durante dois dias. O animal voltou a se alimentar, ingerir água cerca de 24 horas após o início do tratamento e a icterícia foi dissipada após seis dias. Concluiu-se que o tratamento suporte resultou na estabilização e melhora progressiva do quadro clínico de toxicose por monossulfiram.

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Publicado

2008-02-12

Como Citar

P.M.B., J., N.C., B., R., O. A., D.F.F., S., R.V., S., Y.R., C., F.A.S., G., & M.A.M., S. (2008). HEPATITE E NEFRITE TÓXICAS AGUDAS EM CADELA POR INGESTÃO DE MONOSSULFIRAM - RELATO DE CASO. Veterinária Notícias, 12(2). Recuperado de https://seer.ufu.br/index.php/vetnot/article/view/18752

Edição

Seção

Artigos