Divisões nos sentidos de 'mulher'

Argumentação, enunciação e político

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14393/LL63-v36n1-2020-6

Palavras-chave:

Mulher, Divisão política dos sentidos, Argumentação, Semântica da Enunciação, Resistência

Resumo

Este trabalho apresenta uma análise semântico-argumentativa da palavra mulher em materialidades enunciativas distintas: 1) o dizer da senadora do PSL Soraya Thronicke, presidente do grupo PSL Mulher, e 2) o dizer da Rede NAMI, uma ONG formada por grafiteiras que propõe ações para o combate da violência de gênero e para o desenvolvimento do protagonismo social da mulher. O objetivo é refletir sobre o político no funcionamento da linguagem, a partir de uma posição materialista, e compreender as divisões de sentido na tomada da palavra, que se dá no confronto entre os diferentes lugares a partir dos quais os falantes são agenciados a dizer, bem como entre filiações a posições ideológicas distintas. Ao analisar a distribuição desigual entre os modos de dizer da/sobre a mulher, lançamos luz para o embate entre os sentidos produzidos pela normatividade e pelos movimentos sociais de resistência, como a Rede NAMI.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Renata Ortiz Brandão, Universidade Estadual de Campinas

Atualmente cursando Doutorado em Linguística no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp, com financiamento da CAPES e sob a orientação da Profa. Dra. Sheila Elias de Oliveira. Mestra em Linguística também pelo IEL/Unicamp, na área de Semântica, com financiamento do CNPq. Formada em Letras (Licenciatura plena - português) pela mesma universidade (2010-2013). Tem experiência na área de linguística, com ênfase em semântica histórica da enunciação e semântica do acontecimento, atuando principalmente nos seguintes temas: designação, político, acontecimento enunciativo e enunciações presidenciais. Integra o grupo de estudos e pesquisa Linguagem, Enunciação, Discurso (LED), cujo objetivo é ampliar a compreensão da significação nas línguas humanas e produzir análises de fatos de língua e linguagem que digam respeito à produção, à constituição e à circulação dos sentidos, tendo como foco o léxico na relação com a enunciação e o discurso.

Referências

AKOTIRENE, C. Interseccionalidade. São Paulo: Sueli Carneiro; Pólen, 2019.

ELIAS DE OLIVEIRA, S. Sobre o funcionamento do político na linguagem. Línguas e Instrumentos Linguísticos, Campinas, n. 34, p. 41-53, jan.-jun. 2014.

ELIAS DE OLIVEIRA, S. Argumentação, linguagem e conhecimento humano. In: SCHREIBER DA SILVA, S. M.; MACHADO, C. de P. (Org.). Os sentidos da escravidão e outros temas: análises em semântica do acontecimento. São Carlos: Pedro & João Editores, 2018. p.241-255.

ELIAS DE OLIVEIRA, S. Lugar de fala: uma ideia como contra-discurso. In: VENTURINI, M.C. et al. (Org.). Linguística na contemporaneidade: interfaces, memórias e desafios. Campinas: Pontes Editores, 2019. p. 191-209.

GUIMARÃES, E. Texto e argumentação. Campinas: Pontes Editores, 1987.

GUIMARÃES, E. Semântica do acontecimento. Campinas: Pontes Editores, 2002.

GUIMARÃES, E. Análise de texto: procedimentos, análises, ensino. Campinas: RG, 2011.

GUIMARÃES, E. Argumentatividade e argumentação. Desenredo, Passo Fundo, v. 9, n. 2, p. 271-283, 2013. Doi: https://doi.org/10.5335/rdes.v9i2.3847

MODESTO, R. Gritar, denunciar, resistir: “como mulher, como negra”. In: ADORNO, G. et al. (Org.). O discurso nas fronteiras do social: uma homenagem à Suzy Lagazzi. v. 2. Campinas: Pontes Editores, 2019. p. 111-134.

MODESTO, R. Uma outra cidade? A resistência possível e o efeito de resistência: uma proposta. Forum Linguistic, Florianópolis, v. 13, n. 1, p. 1083-1093, 2016. Doi: https://doi.org/10.5007/1984-8412.2016v13n1p1083

ORLANDI, E. P. As formas do silêncio: no movimento dos sentidos. Campinas: Unicamp, 1992.

ORLANDI, E. P. Interpretação: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. Campinas: Pontes Editores, 1996.

ORLANDI, E. P. Análise de discurso: princípios e procedimentos. 10. ed. Campinas: Pontes Editores, 2012.

PÊCHEUX, M. Semântica e discurso: uma critica e afirmação do obvio. Campinas: Unicamp, 1988[1975].

PÊCHEUX, M. O discurso: estrutura ou acontecimento. Trad. de Eni Puccinelli Orlandi. Campinas: Pontes Editores, 1990[1983].

PÊCHEUX, M. O estranho espelho da análise do discurso. In: COURTINE, J.-J. Análise do discurso político: o discurso comunista endereçado aos cristãos. São Carlos: EdUFSCar, 2014. p. 21-26.

PÊCHEUX, M. (1983). Papel da memória. In: ACHARD, P. et al. Papel da memória. Trad. e Introd. José Horta Nunes. 4a ed. Campinas: Pontes Editores, 2015, p.43-51.

TRINDADE, H. Integralismo: teoria e práxis política nos anos 30. In: FAUSTO, B. (Org.). O Brasil Republicano: sociedade e política (1930-1964). Tomo III. Coleção História Geral da Civilização Brasileira. São Paulo: DIFEL, 1981, p.297-335.

ZIZEK, S. O amor impiedoso (ou: Sobre a crença). Trad. de Lucas Mello Carvalho Ribeiro. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2015.

ZOPPI FONTANA, M. G. Ponto de vista: o ponto cego das teorias a polifonia. Estudos da Língua(gem), Vitória da Conquista, v. 13, n. 1, p. 249-283, 2015. Doi: https://doi.org/10.22481/el.v13i1.1292

ZOPPI FONTANA, M. G. “Lugar de fala”: enunciação, subjetivação, resistência. In: Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 & 13th Women’s Worlds Congress (Anais eletrônicos): Florianópolis, 2017.

Downloads

Publicado

2020-06-28

Como Citar

ORTIZ BRANDÃO, R. Divisões nos sentidos de ’mulher’: Argumentação, enunciação e político. Letras & Letras, [S. l.], v. 36, n. 1, p. 97–116, 2020. DOI: 10.14393/LL63-v36n1-2020-6. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/letraseletras/article/view/50529. Acesso em: 8 dez. 2022.