A criação do Instituto Nacional de Cinema Educativo na Era Vargas: debates e circulação de ideias

Conteúdo do artigo principal

Lara Rodrigues Pereira
https://orcid.org/0000-0002-3294-460X

Resumo

O artigo que segue trata da criação do Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE), órgão gestado durante o primeiro governo Vargas e que foi inaugurado em 1936. A escolha do administrador do INCE, Roquette-Pinto, foi contextualizada durante o texto, algo que ajudou a explicar certos aspectos científicos alocados nos filmes do Instituto. Trago como fontes, trechos do Decreto-lei n. 21.240 de abril de 1932 que instituiu o órgão, artigos assinados pelo cineasta Humberto Mauro na revista A Cena Muda, recortes de discursos de autoridades políticas e pensadores da educação do período. Esses documentos apontaram para o alinhamento entre cinema educativo e propaganda política, além de trazerem à tona elementos vinculados a uma moral religiosa católica, cuja premissa foi moldar as narrativas cinematográficas produzidas por todo o cinema brasileiro do período, sobretudo o educativo.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Detalhes do artigo

Como Citar
Pereira, L. R. . (2021). A criação do Instituto Nacional de Cinema Educativo na Era Vargas: debates e circulação de ideias. Cadernos De História Da Educação, 20(Contínua), e025. https://doi.org/10.14393/che-v20-2021-25
Seção
Artigos
Biografia do Autor

Lara Rodrigues Pereira, Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil)

https://orcid.org/0000-0002-3294-460X
http://lattes.cnpq.br/0174305471365523
lararp81@gmail.com

Referências

ADAMATTI, Margarida Maria. A crítica cinematográfica ao Star System nas revistas de fãs: A Cena Muda e Cinelândia (1952-1955). 2008. 326 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Ciências da Comunicação, Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008.

ALMEIDA, Joaquim Canuto Mendes de. Cinema contra Cinema: bases gerais para um esboço de organização do cinema educativo no Brasil. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1931.

BOURDIEU, Pierre. A ilusão biográfica. In: AMADO, Janaína; FERREIRA, Marieta de Moraes. Usos e abusos da história oral. 8. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2006.

BRASIL. Lei Nº 378, de 13 de Janeiro de 1937: Dá nova organização ao Ministério da educação e Saúde Pública. DOU, 15 jan. 1937. Seção 1, p. 1210. Disponível em: . Acesso em: 07 fev. 2018.

BRASIL. Decreto-lei nº 21.240, de 4 de abril de 1932. Nacionalizar o serviço de censura dos filmes cinematográficos, cria a "Taxa Cinematográfica para a educação popular e dá outras providências. Disponível em: http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1930-1939/decreto-21240-4-abril-1932-515832-norma-pe.html. Acesso em: 07 fev. 2018.

CAPELATO, Maria Helena Rolim. Multidões em cena: propaganda política no varguismo e no peronismo. Campinas: Papirus, 2008.

FERRO, Marc. Cinema e história. 2. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2010.

GOMES, Ângela de Castro. A invenção do Trabalhismo. Rio de Janeiro: FGV, 2005.

GOMES, Ângela de Castro. História e historiadores. Rio de Janeiro: FGV, 2013.

GOMES, Ângela de Castro. Cultura política e cultura histórica no Estado Novo. In: ABREU, Martha; SOIHET, Rachel; GONTIJO, Rebeca. (Org.). Cultura política e leituras do passado: historiografia e ensino de História. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. p. 43 - 63.

GOMES, Ângela de Castro. A “Cultura História” do Estado Novo. Projeto História: Revista do programa de estudos pós-graduados de História, São Paulo, v. 16, p. 121 - 141, jan./jun. 1998.

MAURO, Humberto. Figuras e Gestos. Revista A cena muda. Rio de Janeiro: Americana, n. 32, p. 22 - 23, 1943.

MAURO, Humberto. Rio de Janeiro: Americana, n. 25, p.22- 29, 1942.

MORETTIN, Eduardo. Humberto Mauro, cinema e História. São Paulo: Alameda Casa Editorial, 2013.

NICHOLS, Bill. Introdução ao documentário. Campinas: Papirus, 2010.

NÓVOA, Jorge (org.). Cinematógrafo, um olhar sobre a história. São Paulo, Salvador: UNESP, EDUFBA, 2009.

PAULILO, André Luiz. A leitura, o cinema e os processos educativos na obra de Jonathas Serrano: problemas metodológicos e precauções morais da pedagogia nos anos 1910-30. História da Educação, v.6, n.11, p.169-192, abr. 2002.

ROSA, Cristina Souza. O ensino de História do Brasil através dos filmes do educativos do INCE, durante o Estado Novo. In: XII ENCONTRO REGIONAL DE HISTÓRIA ANPUH, 12., 2006, Niterói. Anais... Rio de Janeiro: ANPUH, 2006. Disponível em: http://www.rj.anpuh.org/ resources/rj/Anais/2006/conferencias/CristinaSouzadaRosa.pdf. Acesso em: 09 fev. 2018.

ROSA, Cristina Souza. Para além das fronteiras nacionais: Um estudo comparado entre os Institutos de Cinema Educativo do Estado Novo e do Fascismo (1925-1945). 395 f. Tese (Doutorado) - Curso de História, Ciências Humanas, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2008.

SALES GOMES, Paulo Emílio. Cinema, trajetória no subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2001.

SALIBA, Maria Eneida Fachini. Cinema contra cinema. O cinema educativo de Canuto Mendes (1922-1931). São Paulo: Annablume - FAPESP, 2003.

SCHVARZMAN, Sheila. Humberto Mauro e as imagens do Brasil. São Paulo: UNESP, 2004. DOI: https://doi.org/10.7476/9788539303137.

SCHWARTZMAN, Simon. Educação e Cultura no Regime Vargas: A Revolução de 30. Brasília: UNB,1984.

SCHWARTZMAN, Simon; BOMENY, Helena; COSTA, Vanda. Tempos de Capanema. Rio de Janeiro: Paz e Terra. São Paulo: EDUSP, 1984.

SERRANO, Jonathas. Como se ensina História. São Paulo: Melhoramentos, 1935.

SERRANO, Jonathas; VENANCIO, Filho Francisco. Cinema e educação. São Paulo: Melhoramentos, 1930.

SILVA, Cristiani Bereta da (org.). Educar para a nação: cultura política, nacionalização e ensino de História nas décadas de 1930 e 1940. Curitiba: CRV, 2014.

SIMIS, Anita. Estado e cinema no Brasil, São Paulo: Annablume, 1996.

VIANY, Alex. Humberto Mauro: Sua vida, sua arte, sua trajetória no cinema. Rio de Janeiro: Arte nova, 1978.