Avaliação escolar: uma contribuição sócio-histórica para o estudo da atribuição de notas

Conteúdo do artigo principal

Natália de Lacerda Gil
https://orcid.org/0000-0002-0818-4858

Resumo

A atribuição de notas ou conceitos aos alunos é prática cotidiana nas escolas, embora tenhamos muito pouco conhecimento sobre os critérios efetivamente mobilizados pelos professores nesses processos e conheçamos ainda pouco acerca da história desse aspecto da cultura escolar. Assim, no presente trabalho busco contribuir com a história da avaliação principalmente do ponto de vista teórico, focalizando, em diálogo com estudos sociológicos, a dimensão classificatória envolta na escala de excelência escolar que a atribuição de notas permite formular. A fim de exemplificar a potencialidade do exame de fontes constituídas a partir da escrituração escolar, apresento a análise de fichas de notas de uma escola católica de Porto Alegre entre 1957 e 1964. Articulando-se a estudos já desenvolvidos sobre o tema na História da Educação, neste trabalho explicito o detalhamento e a busca de precisão e objetividade perceptíveis na quantificação dos desempenhos escolares e no debate pedagógico acerca da questão.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Detalhes do artigo

Como Citar
Gil, N. de L. . (2020). Avaliação escolar: uma contribuição sócio-histórica para o estudo da atribuição de notas. Cadernos De História Da Educação, 19(3), 923–941. https://doi.org/10.14393/che-v19n3-2020-16
Seção
Artigos
Biografia do Autor

Natália de Lacerda Gil, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil)

https://orcid.org/0000-0002-0818-4858
http://lattes.cnpq.br/8340007478393697
natalia.gil@uol.com.br

Referências

ANJOS, Juarez José Tuchinski dos. Uma trama na história: a criança no processo de escolarização nas últimas décadas do período imperial (Lapa, Província do Paraná, 1866-1886).

UFPR, 2011. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2011.

BOURDIEU, Pierre; PASSERON, Jean Claude. A reprodução. Rio de Janeiro: Francisco Alvez, 1992.

BOURDIEU, Pierre. A força da representação. A economia das trocas lingüísticas: o que falar quer dizer. 2ª ed. São Paulo: Edusp, 1998, p.107-116.

CAMBI, Franco. História da Pedagogia. São Paulo: Editora UNESP, 1999.

CARDOSO DA SILVA, Carolina Ribeiro. “O valor do aluno”: vestígios de práticas de avaliação na escola primária (Florianópolis/SC, 1911-1963). UDESC, 2014. Dissertação (Mestrado em Educação). Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis, 2014.

CARDOSO DA SILVA, Carolina Ribeiro. "A justa medida do progresso dos alunos": avaliação escolar em manuais de pedagogia (segunda metade do século XIX). UDESC, 2018. Tese (Doutorado em Educação). Universidade do Estado de Santa Catarina, 2018.

CARDOSO DA SILVA, Carolina Ribeiro; GASPAR DA SILVA, Vera Lucia. O aluno sob medida: como a escola registra seus alunos? Caderno de História da Educação, Uberlândia, v. 14, n. 1, jan./abr., 2015.

CATANI, Denice Barbara. História das práticas de avaliação no Brasil: provas, exames e testes ou a longa provação dos alunos rumo à distinção ou ao “triunfo escolar” (1890-1960). Currículo sem Fronteiras, v. 17, n. 1, p. 8–14, 2017.

CHARTIER, Roger. A história cultural: entre práticas e representações. 2ª ed, Lisboa: Difel, 2002.

DALIGAULT, Jean Baptiste. Curso Pratico de Pedagogia. Desterro: Typografia Ribeiro & Caminha, 2. ed., 1870.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. 10a ed. Petrópolis: Vozes, 1987.

GATTI, Bernadete A. Avaliação educacional no Brasil: pontuando uma história de ações. Eccos, v. 4, n. 1, p. 17–41, 2002. https://doi.org/10.5585/eccos.v4i1.291

GIL, Natália de Lacerda; HAWAT, Joseane El. O tempo, a idade e a permanência na escola: um estudo a partir dos livros de matrícula (Rio Grande do Sul, 1895-1919). História da Educação, Porto Alegre, v. 19, n. 46, p. 19–40, 2015. https://doi.org/10.1590/2236-3459/50877

HAWAT, Joseane Leonardi Craveiro El. Os saberes elementares matemáticos nas escolas isoladas de Porto Alegre: avaliações, programas de ensino e livros escolares (1873-1919).

UFRGS, 2015. Dissertação (Mestrado em Educação). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2015.

JARDIM, Germano. A coleta da estatística educacional (IV). Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, v. 7, n. 21, p. 452-463, março-abril, 1946.

JINZENJI, Mônica Yumi. As escolas públicas de primeiras letras de meninas: das normas às práticas. Revista Brasileira de História da Educação, São Paulo, n. 22, p. 169-198, jan.-abr. 2010.

KISTEMACHER, Dilmar. Avaliação e qualidade da educação na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos/INEP (1944-1964). UNISINOS, 2010. Dissertação (Mestrado em Educação). Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, 2010.

LOURENÇO FILHO. Estatística e educação. Revista Brasileira de Estudos Pedagógico, v. XI, n. 31, p. 467-488, nov.-dez., 1947.

LOURENÇO FILHO. Introdução ao Estudo da Escola Nova. 14. ed. Rio de Janeiro: EdUERJ/Conselho Federal de Psicologia, 2002.

LOURENÇO FILHO; HILDEBRAND, Armando. São necessários os exames escolares?. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, v. 4, n. 10, p. 51-54, abril 1945.

LUCHESE, Terciane Angela. Celebrações do saber: exames finais nas escolas da região colonial italiana, Rio Grande do Sul, 1975 a 1930. Revista Diálogo Educacional, Curitiba, v. 14, n. 41, jan./abr., 2014. https://doi.org/10.7213/dialogo.educ.14.041.AO03

LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem na escola e a questão das representações sociais. Eccos, v. 4, n. 2, p. 79–88, 2002. https://doi.org/10.5585/eccos.v4i2.310
MANIFESTO dos Pioneiros da Educação Nova (1932) e dos educadores 1959. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2010.

MERCIER, Pascal. Trem noturno para Lisboa. 10. ed. Rio de Janeiro: Record, 2013.

MONARCHA, Carlos. Brasil arcaico, Escola Nova: ciência, técnica e utopia nos anos 1920 - 1930. São Paulo: Ed. UNESP, 2009.

"ORIENTAÇÃO pedagógica". Comunicado da Diretoria de Instrução Pública. Secção técnica. Revista do Ensino, Porto Alegre, v. 5, n. 17-18, p. 162-163, jan.-fev., 1941.

PERRENOUD, Philippe. La fabrication de l’excellence scolaire: du curriculum aux pratiques d’évaluation. Genebra: Librairie Droz S.A., 1984.

PERRENOUD, Philippe. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens – entre duas lógicas. Porto Alegre: Artmed, 1999.

ROCHA, Fernanda Cristina Campos da. A Reforma João Pinheiro nas práticas escolares do Grupo Escolar Paula Rocha/Sabará (1907-1916). UFMG, 2008. Dissertação (Mestrado em Educação). Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2008.

ROCHA, Fernanda Cristina Campos da. A repetência e a reprovação na escola graduada, em Minas Gerais, nas primeiras décadas do século XX. UFMG, 2017. Tese (Doutorado em Educação). Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2017.

SECRETARIA DA EDUCAÇÃO E DA SAÚDE PÚBLICA. Directoria do Ensino. As reuniões pedagogicas de janeiro de 1937. São Paulo, 1937. [Boletim n. 13]

SOUZA, Rosa Fátima de. Templos de Civilização: a implantação da escola primária graduada no Estado de São Paulo (1890-1910). São Paulo: UNESP, 1998.