VIOLÊNCIA E INSEGURANÇA NAS CIDADES BRASILEIRAS: os roteiros de espacialização produzidos pela mídia

Autores

  • Maria Angélica de Oliveira Magrini Universidade Federal de Uberlândia

Resumo

A discussão acerca das características da violência nos municípios brasileiros é importante visto que existem situações muito heterogêneas entre eles. Enquanto que em 35,6% (1.085) dos municípios brasileiros não houve nenhum registro de homicídio no período de 2009 a 2011, em outros chegamos a taxas de mais de 100 homicídios por 100 mil habitantes. No entanto, a cobertura midiática não dá conta dessa complexidade, produzindo discursos estandardizados acerca da violência urbana, focalizando ocorrências que acontecem no Rio de Janeiro e em São Paulo, por exemplo, deixando de lado a abordagem de atos ocorridos em outras realidades espaciais, como o Nordeste e o Norte do país, que vêm apresentando os maiores índices de homicídios no Brasil na atualidade. Percebemos assim, que os discursos midiáticos não ficam restritos apenas a informar sobre a realidade, visto que eles são capazes de produzir entendimentos direcionados acerca dessa realidade, evidenciando certos aspectos e escondendo outros. No caso brasileiro, temos a disseminação da percepção de que a violência é um problema de todas as cidades, fazendo com que haja práticas de busca por segurança mesmo nas cidades em que as ocorrências não são significativas, diante da amplificação dos discursos midiáticos que indicam “escalada”, “explosões” e “ondas” de violência – difusa e desespacializada. A metodologia que baseou a análise presente neste artigo foi a análise de conteúdo de 110 reportagens do programa televisivo Brasil Urgente, além do trabalho com dados estatísticos e do resgate de trechos de entrevistas com citadinos de duas cidades de porte médio – Araçatuba e Birigui – localizadas no interior do estado de São Paulo.

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Publicado

2019-10-05