Aspectos anatômicos dos músculos mediais da coxa do Quati (Nasua nasua, Linnaeus 1766)

Authors

  • Flávio de Rezende Guimarães Universidade Federal do Mato Grosso
  • Julio Roquete Cardoso Universidade Federal de Goiás
  • Thelma Michella Saddi Universidade Federal de Goiás
  • Luciana Batalha de Miranda Araújo Universidade Federal de Goiás
  • Eugênio Gonçalves de Araújo Universidade Federal de Goiás

Abstract

Quatis (Nasua Spp.) são animais pertencentes à família Procyonidae da ordem Carnivora. Presentes em todos os biomas brasileiros, o Nasua nasua está distribuído na América do Sul, desde o norte da Colômbia até o norte da Argentina, sendo comuns na maioria das florestas neotropicais desta região. Onívoros, alimentam-se principalmente de frutos, tanto no solo quanto em árvores, o que os tornam importantes dispersores de sementes. Seus hábitos arbóreos exigem mais força e mobilidade de seus membros pélvicos do que nos canídeos, dos quais divergiram evolutivamente, mas ainda compartilham a mesma Subordem. Neste sentido, este estudo analisou os aspectos anatômicos dos músculos que integram o grupo medial da coxa dos quatis, os quais tiveram seus aspectos gerais, localização, forma, origem, inserção, sintopia e funções avaliados. Para a realização desta pesquisa foram utilizados cinco animais adultos (duas fêmeas e três machos) cedidos pelo IBAMA-GO (Licença: 98/2011), os quais foram fixados com solução de formaldeído a 10% e dissecados depois de um período mínimo de 72 horas. Os músculos que compõem o grupo medial da coxa dos quatis são o m. grácil, m. pectíneo, m. adutor magno, m. adutor curto, m. adutor longo e o m. obturador externo. Todos os músculos apresentam particularidades quanto à origem e/ou inserção. O músculo grácil é bem largo e não contribui para a formação do tendão calcanear comum. O músculo pectíneo insere-se na metade da face caudal do fêmur. Os três músculos adutores encontram-se presentes e dispostos como três lâminas sucessivas e crescentes, no sentido craniocaudal, estando o músculo adutor curto interposto entre o m. adutor longo cranialmente e o m. adutor magno caudalmente. Suas inserções dispõem-se longitudinalmente e paralelas na face caudal do fêmur, crescendo em extensão, da medial (m. adutor longo) para a lateral (m. adutor magno). As habilidades adquiridas pelos quatis na medida em que se afastaram evolutivamente dos canídeos, passando a ter hábitos também arbóreos, foram acompanhadas por adaptações anatômicas no grupo muscular em questão, com várias delas assemelhando-se mais ao padrão verificado nos gatos do que propriamente nos cães. As adaptações caracterizaram-se principalmente por alterações nas origens e/ou inserções, tamanho e, no caso dos músculos adutores, também na quantidade e arranjo dos mesmos.

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Published

2014-11-11

How to Cite

GUIMARÃES, F. de R., CARDOSO, J.R., SADDI, T.M., ARAÚJO, L.B. de M. and ARAÚJO, E.G. de, 2014. Aspectos anatômicos dos músculos mediais da coxa do Quati (Nasua nasua, Linnaeus 1766) . Bioscience Journal [online], vol. 30, no. 6, pp. 1853–1863. [Accessed7 December 2022]. Available from: https://seer.ufu.br/index.php/biosciencejournal/article/view/23440.

Issue

Section

Agricultural Sciences