Uma biografia na Passarela do Samba: o desfile da Paraíso do Tuiuti e a história de Xica Manicongo desde uma perspectiva temporal queer (2025)
DOI:
https://doi.org/10.14393/artc-v27-n51-2025-82643Palavras-chave:
Xica Manicongo, biografia, temporalidade queerResumo
O artigo analisa o enredo “Quem tem medo de Xica Manicongo”, da Escola de Samba Paraíso do Tuiuti, do Rio de Janeiro, apresentado em 2025. A africana Xica viveu em Salvador como escravizada no final do século XVI. Ela é considerada pelo movimento brasileiro contemporâneo de pessoas trans e travestis como a primeira travesti não indígena do país da qual se tem registro. O foco recai sobre como esse enredo foge da linearidade cronológica das biografias tradicionais, aproximandose de formas queer de pensar e narrar a temporalidade, sintetizadas nas noções de crítica à crononormatividade, anacronismo e erotohistoriografia. Conclui-se que o enredo tem potencial de inspirar a elaboração de biografias históricas que queiram fugir de maneiras usuais de conceber e delinear a temporalidade.
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