Toda forma carrega a marca do artista: gestualidade na crítica de arte brasileira contemporânea

Autores

  • Ana Cândida de Avelar

DOI:

https://doi.org/10.14393/artc-v23-n43-2021-64080

Palavras-chave:

Gestualidade, crítica de arte contemporânea, pintura de ação

Resumo

A gestualidade presente na pintura gestual é frequentemente lida como fruto da descarga emocional do artista. Diante dessa leitura da crítica, tais obras são vistas pela associação da marca da gestualidade à ideia de uma atitude do artista comprometido com a arte. Neste artigo, proponho apresentar um comentário sobre esse discurso que funde artista e obra como um “lugar” da crítica de arte contemporânea no Brasil, sempre que esta é solicitada a enfrentar trabalhos que apresentam uma gestualidade evidente. Busco demonstrar ainda certas genealogias dessa leitura, amparada em ideias promovidas pelo romantismo, pelos expressionismos e pela action painting.

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Biografia do Autor

Ana Cândida de Avelar

Doutora em Artes Visuais pela Universidade de São Paulo (USP). Professora do Departamento de Artes Visuais da Universidade de Brasília (UnB). Coautora, entre outros livros, de Crítica e curadoria dentro e fora do eixo: operação resistência. São Paulo: Intermeios, 2019. 

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Publicado

2021-12-24

Como Citar

de Avelar, A. C. . (2021). Toda forma carrega a marca do artista: gestualidade na crítica de arte brasileira contemporânea. ArtCultura, 23(43), 49–64. https://doi.org/10.14393/artc-v23-n43-2021-64080

Edição

Seção

Minidossiê: História & Artes Visuais