COMO DAVI KOPENAWA, SENDO UM CONTADOR DE HISTÓRIAS, DÁ CONSELHOS, OU SENÃO, ENSINA A ARTE DE NARRAR A WALTER BENJAMIN?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14393/TES-v4n1-2021-63557

Palavras-chave:

Davi Kopenawa. Walter Benjamin. Contador de histórias. Teoria Literária Ameríndia.Teoria Literária.

Resumo

Davi Kopenawa, um xamã e porta-voz Yanomami contemporâneo, acredita que, se os brancos, que vivem em um mundo ignorante, conseguirem ouvir suas palavras, talvez, possam ajudar uns aos outros a evitar ou, ainda que seja, adiar a queda do céu. Walter Benjamin afirma que a arte de narrar está em vias de extinção no ensaio O Contador de Histórias de 1936. Para Benjamin, a arte de narrar desfaleceu na medida em que se deu o período moderno em uma analogia com a consolidação do capitalismo. Nada mais justo evocar o provérbio Se conselho fosse bom, ninguém dava, vendia. Porém, Davi Kopenawa parece ir contra a tal ordem capitalista ao propor outra visão de mundo com suas narrativas cosmogônicas. Nesse sentido, este artigo pretende confrontar a figura do contador de histórias indígena ao contador de histórias moderno, proposto por Benjamin considerando não somente a arte de narrar, como também, de dar conselhos. Indo além, proponho uma reflexão sobre as palavras de Davi Kopenawa ao lançar a seguinte proposição: como Davi Kopenawa, sendo um contador de histórias, dá conselhos, ou senão, ensina a arte de narrar a Walter Benjamin? Para tal, este artigo fará uma articulação entre a textualidade indígena Yanomami e o ensaio benjaminiano para a construção de uma Teoria Literária Ameríndia como um convite para a escuta imaginativa de outros mundos possíveis.

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Biografia do Autor

Brena Moura, UEPA

Professora Substituta do Departamento de Língua e Literatura da Universidade do Estado do Pará (UEPA) desde 2019. Tem lecionado disciplinas nas áreas de Literatura, Linguística e Ensino-Aprendizagem de Línguas. Possui doutorado (2019) e mestrado (2014) em Letras (Ciência da Literatura) pela UFRJ, tendo participado do Programa de Mobilidade Erasmus+, pela categoria de bolsista de doutorado-sanduíche, na Université de Nice-Sophia Antipolis. Tem licenciatura em Letras (habilitação português/ inglês) pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (2010). É membro-associado do Centro de Pesquisas Outrarte - psicanálise entre ciência e arte, do IEL/UNICAMP. 

Referências

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Publicado

2022-01-16

Como Citar

MOURA, B. COMO DAVI KOPENAWA, SENDO UM CONTADOR DE HISTÓRIAS, DÁ CONSELHOS, OU SENÃO, ENSINA A ARTE DE NARRAR A WALTER BENJAMIN? . Téssera, [S. l.], v. 4, n. 1, p. 25–45, 2022. DOI: 10.14393/TES-v4n1-2021-63557. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/tessera/article/view/63557. Acesso em: 18 ago. 2022.