Do déficit normativo à governança constitucional

releituras do mandado de injunção à luz das injunctions anglo-saxãs

Autores

  • Jamile Gonçalves Calissi UEMG - Universidade do Estado de Minas Gerais
  • Eliana Franco Neme Faculdade de Direito de Ribeirão Preto - FDRP/USP
  • Renato Zanolla Montefusco Universidade do Estado de Minas Gerais

DOI:

https://doi.org/10.14393/RFADIR-53.1.2025.80627.138-170

Palavras-chave:

Mandado de injunção, Omissão legislativa, Direitos fundamentais, Jurisdição constitucional, Efetividade constitucional, Governança democrática

Resumo

O presente artigo examina o mandado de injunção no constitucionalismo brasileiro contemporâneo, introduzindo a temática da insuficiência normativa estrutural que compromete a concretização dos direitos fundamentais e desafia a capacidade do Estado Democrático de Direito de oferecer respostas institucionais adequadas. A relevância e a originalidade do estudo decorrem da necessidade de reinterpretar o mandado de injunção para além de sua função corretiva tradicional, compreendendo-o como peça central de uma arquitetura constitucional de governança, especialmente em contextos marcados por complexidade social, aceleração tecnológica e omissões legislativas reiteradas. O problema de pesquisa que orienta a investigação consiste em compreender se, e em que medida, o mandado de injunção é capaz de enfrentar de forma consistente as omissões normativas, preservando simultaneamente a legitimidade democrática e o equilíbrio entre os Poderes. Assim, o objetivo do artigo é analisar a trajetória histórica, a evolução jurisprudencial, a transformação concretista do Supremo Tribunal Federal, o impacto da Lei 13.300/2016 e o diálogo possível com as injunctions anglo-saxãs, a fim de delinear o papel contemporâneo do instituto e suas projeções futuras. Metodologicamente, adota-se abordagem interdisciplinar que combina análise dogmática, reconstrução jurisprudencial, exame crítico de teoria constitucional, diálogo com sociologia das instituições e incursões de direito comparado. As conclusões indicam que o mandado de injunção se consolidou como instrumento indispensável para a efetividade dos direitos fundamentais, embora ainda enfrente desafios relacionados à coordenação entre Poderes, à necessidade de maior responsabilidade legislativa e ao risco de hipertrofia judicial. O estudo demonstra, ainda, que sua atuação tende a se expandir em áreas tecnológicas e regulatórias emergentes, sugerindo novas agendas de pesquisa orientadas à avaliação empírica de seus efeitos e ao desenvolvimento de modelos colaborativos de concretização constitucional.

Biografia do Autor

  • Jamile Gonçalves Calissi, UEMG - Universidade do Estado de Minas Gerais

    Doutorada em Direito con ênfase em Sistema Constitucional de Garantia de Direitos pela Faculdade de Direito de Bauru (CEUB-ITE). Professora de Educação Superior da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), Unidade Passos.  Professora Titular Mestrado Profissional em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente na Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), Unidade Passos. Professora Titular Mestrado Profissional em Direito e Gestão de Conflitos na Universidade de Araraquara (UNIARA).

  • Eliana Franco Neme, Faculdade de Direito de Ribeirão Preto - FDRP/USP

    Livre-Docente em Direito pela Faculdade de Direito de Ribeirão Preto FDRP/USP. Professora Titular Faculdade de Direito de Ribeirão Preto FDRP/USP.

  • Renato Zanolla Montefusco, Universidade do Estado de Minas Gerais

    Doutor em Ciência, Tecnologia e Sociedade pela Universidade Federal de São Carlos (PPGCTS-UFSCar). Professor de Ensino Superior Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), Unidade Passos.

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Publicado

2026-10-06

Como Citar

Do déficit normativo à governança constitucional: releituras do mandado de injunção à luz das injunctions anglo-saxãs. (2026). Revista Da Faculdade De Direito Da Universidade Federal De Uberlândia, 53(1), 138-170. https://doi.org/10.14393/RFADIR-53.1.2025.80627.138-170