ECOS DAS MÚLTIPLAS FORMAS DE VIVER E ENVELHECER EM BELO HORIZONTE (MG)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14393/Hygeia2178318

Palavras-chave:

Envelhecimento, Desigualdades socioespaciais, Iniquidades

Resumo

Mudanças na composição familiar e o crescimento do grupo populacional idoso nos desafiam a compreender diversas condições de envelhecimento, nichos de segregação socioespacial e iniquidades intraurbanas. Trajetórias de vidas distintas levam a diferentes formas de envelhecer, necessitando de adaptações, recursos financeiros, assistência e cuidados. Investigamos os envelheceres em Belo Horizonte, por meio de entrevistas semiestruturadas entre 2023 e 2024. As narrativas de quatro grupos (gestores, trabalhadores da saúde e assistência social, representantes da sociedade civil e pessoas com 60 anos ou mais) foram analisadas segundo as concepções teórico-metodológicas da análise de conteúdo e qualitativa de Thiollent (1987), Bardin (1977) e Attride-Stirling (2001). Múltiplas formas de envelhecimento observadas em distintos contextos combinam estratégias de sobrevivência à busca por dignidade, qualidade de vida e saúde. As dificuldades enfrentadas e indicadas foram: a desigualdade social, mobilidade deficitária, violência, solidão, rompimento de vínculos, idadismo, adoecimento emocional e impasses de acesso às instituições de longa permanência. A pesquisa revelou uma cidade ainda não preparada para o viver e envelhecer, exigindo a reformulação de políticas públicas intersetoriais, uma vez que a longevidade demanda ações urgentes para garantir maior qualidade de vida.

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Biografia do Autor

  • Denise Marques Sales, Universidade Federal de Minas Gerais

    Geógrafa e Analista Ambiental, mestre e doutora em Geografia pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atua com geotecnologias aplicadas a estudos em saúde, planejamento urbano, análise ambiental e climatologia geográfica. Possui experiência em projetos de pesquisa nacionais e internacionais, desenvolvidos com equipes multidisciplinares. Durante o doutorado, aprimorou habilidades em análise qualitativa. Tem interesse particular por reflexões geográficas que interligam espaço, tempo, processos e escalas o que possibilita não apenas localizar e descrever fenômenos, mas também interpretá-los e explicá-los em seus contextos sociais, culturais e territoriais. Atualmente, é colaboradora no projeto "Desigualdades socioeconômicas e ambiente alimentar em uma capital do Nordeste brasileiro" e integra a equipe de pesquisadores do Cidacs/Fiocruz Salvador, por meio do projeto Emerge, investigando as interfaces entre migração, deslocamento, saúde, mudanças climáticas, eventos extremos e desigualdades sociais.

  • Doralice Barros Pereira, Universidade Federal de Minas Gerais

    Graduada (1986) e mestre (1992) em Geografia pela Universidade Federal de Minas Gerais e doutora em Geografia pela Universidade de Montréal (2002); professora Titular da UFMG, com pesquisas em Geografia Humana em geografia urbana, conflitos territoriais, produção e organização socioespacial de áreas de proteção ambiental, representações sociais e ideologias. Pesquisas realizadas: a atuação do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil e em Minas Gerais na construção do pensamento geográfico; a influência do livro Através do Brasil na construção do pensamento geográfico escolar; os cursos de Geografia das Universidades Federais de Minas Gerais e de Uberlândia: memória dos docentes. Em outubro de 2016, professora visitante na Universidade de Lille 1 (França), instituição com a qual desenvolvi a pesquisa Riquezas Compartilhadas, subprojeto Riquezas naturais, diversidades naturais e diversidades sociais. Responsável pelo convênio entre a UFMG e a Universidade de Lille 1, de duplo diploma para a Pós-graduação. Participação na elaboração de jogos de tabuleiro e digital no projeto Saberes do/para o Mosaico Sertão Veredas/Peruaçu: construindo possibilidades de ensino/aprendizagem, em parceria com o Curso de Jogos Digitais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC/MG). Pesquisadora no grupo de pesquisa Computação Ambiental em Arquitetura e Urbanismo, do(a) Universidade Federal de Minas Gerais liderado pelo prof. líder Renato Cesar Ferreira de Souza. Em 2019 contribui no curso Análise do discurso e ideologia: questões de método, com a profa. Rogata Soares del Gaudio, na Universidade de Rovuma, extensão Niassa em Moçambique.

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Publicado

19-12-2025

Edição

Seção

Edição Especial: III Congresso de Geografia da Saúde de Países de Língua Portuguesa (2024)

Como Citar

SALES, Denise Marques; PEREIRA, Doralice Barros. ECOS DAS MÚLTIPLAS FORMAS DE VIVER E ENVELHECER EM BELO HORIZONTE (MG). Hygeia - Revista Brasileira de Geografia Médica e da Saúde, Uberlândia, p. e78318, 2025. DOI: 10.14393/Hygeia2178318. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/hygeia/article/view/78318. Acesso em: 19 jan. 2026.