O ENSINO DA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) NAS ESCOLAS MÉDICAS DO ESTADO DE SÃO PAULO-BRASIL

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14393/Hygeia2279040

Palavras-chave:

Surdez, Modelos educacionais, Educação médica, Humanização da assistência

Resumo

Objetivo: descrever o ensino de Libras nas escolas médicas (EM) paulistas, correlacionando-o com características administrativas e pedagógicas. Método: descrição transversal de dados disponíveis no e-MEC e nos sites das EM (documentos pedagógicos), em 2024 (dados de 66 (88%) das 75 EM identificadas), utilizando-se estatística inferencial (nível de significância p<0,05). Resultado: observou-se concentração das EM nas regiões metropolitanas (RM) e, no tocante à menção de Libras nos documentos encontrados sua oferta descumpria o caráter obrigatório outorgado pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) de 2014, figurando predominantemente como optativa (83%); revelando-se: pela análise multivariada, que os fatores de favorecimento de sua citação derivavam da EM se localizar fora da RMSP (p=0,010) e não ser pública (p=0,013); e, pela análise regressiva (p=0,079), que a implantação do curso após DCN-2014, ou uso exclusivo de Metodologia Ativa de Ensino-aprendizagem, não foram cruciais para sua menção. Conclusão: as EM se localizam prioritariamente em grandes centros urbanos, indicando sua interiorização e sua natureza não pública como principais preditores da oferta de Libras, persistindo, mesmo após anos das DCN-2014, a deficiência de sua oferta nas EM, comprometendo a formação pelo princípio de equidade, do SUS.

 

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Sheyla Ribeiro Rocha, Universidade Federal de São Carlos

    Graduada em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) com residência em Pediatria pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (MG) e título de especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Mestrado em Ciências da Saúde da Criança e do Adolescente pela UFMG e doutorado em Ensino em Saúde pela Universidade Estadual de Campinas. Especialização em Educação das Profissões da Saúde pelo Instituo Faimer Brasil/UFC, em Gestão Emocional nas Organizações pelo Instituto Israelita Albert Einstein, em Auditoria em Sistemas de Saúde pela Faculdade São Camilo e em Gestão Orçamentária do SUS Municipal pela Pontifícia Universidade Católica de MG. Atualmente sou docente e Vice-chefe do Departamento de Medicina Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Atuo também como docente da residência em medicina de família, da residência de pediatria e do Programa de Pós-graduação em Gestão da Clínica (PPGGC) da UFSCar. Sou membro da Comissão Nacional de Acompanhamento e Monitoramento de Escolas Médicas do Ministério da Educação (CAMEM/SESU-MEC) e da Coordenação de Residência e Estágios da Sociedade Brasileira de Pediatria. Estive como Vice-coordenadora do PPGGC-UFSCar na gestão 2022 -24. Estou vinculada a projetos na área de educação das profissões da saúde, com ênfase em formação por competência e EPAs, comunicação em saúde e qualidade do cuidado, avaliação de estudantes e de escolas médicas, Atenção Primária à Saúde, mindfulness e bem-estar. 

  • Bernardino Geraldo Alves Souto, Universidade Federal de São Carlos

    Médico generalista pela Universidade Federal de Juiz de Fora, MG. Tem título de especialista em Medicina Intensiva, Clínica Médica/Medicina Interna e em Epidemiologia em Serviços de Saúde. Mestre e Doutor em Medicina (Medicina Tropical). Pós-doutorado em Microbiologia e Infecção pela Universidade do Minho (Portugal). Na Universidade Federal de São Carlos, é Professor Titular no Curso de Medicina, líder do Grupo de Pesquisa Clínica e Epidemiológica Aplicada em Ciências da Saúde e docente no Programa de Pós-graduação em Gestão da Clínica. Na Universidade do Minho (Braga, Portugal), participa do grupo de Pesquisa Pathogen Evolutionary Genomics and Experimental Genetics (PEvoGEn) do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde.

  • Claudia Aparecida Stefane, Universidade Federal de São Carlos

    Possui graduação em Educação Física pela Fundação Educacional São Carlos (1988), mestrado em Educação Especial (1996), doutorado em Educação (2003) e pós-doutorado em Fisioterapia (2016-2018), pela Universidade Federal de São Carlos. É docente associada no Departamento de Medicina na Universidade Federal de São Carlos. Líder do Grupo de Pesquisa Quíron- estudos e prática em saúde e membro do Grupo de Pesquisa NEPEM - Núcleo de Estudo e Pesquisa em Educação Médica. Atua como consultora ad hoc na Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco. Desenvolvedora do programa "Cuide bem da sua saúde" veiculado pela Rádio UFSCar (FM 95.3). Tem experiência em gestão universitária e nas áreas de Educação Médica, Educação Especial e Saúde do Trabalhador. Ênfase em: formação profissional, acessibilidade, estágios supervisionado, promoção à saúde, distúrbios osteomusculares, exercícios físicos e qualidade de vida.

Referências

ARAÚJO, A. M. et al. A dificuldade no atendimento médico às pessoas surdas. Revista Interdisciplinar Ciências Médicas, Belo Horizonte, v. 12, n. 3, p. 3–9, jun., 2019. Disponível em: https://revista.fcmmg.br/index.php/RICM/article/view/67. Acesso em: 16 abr. 2025.

BLASCO, P. G. É possível humanizar a Medicina? Reflexões a propósito do uso do cinema na educação médica. O Mundo da Saúde, São Paulo, v. 34, n. 3, p. 357–367, 2010. Disponível em: https://sobramfa.com.br/wp-content/uploads/2014/10/2010_dez_e_possivel_humanizar_a_medicina.pdf. Acesso em: 24 abr. 2025.

BRASIL. Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005: regulamenta a lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais-Libras, e o art. 18 da Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Diário Oficial da União, de 23 de dezembro de 2005, p. 28.

BRASIL. Lei n. 10.436 de 24 de abril de 2002: dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras - e dá outras providências. Diário Oficial da União, de 25 de abril de 2002, p. 23.

BRASIL. Lei nº 15.126, de 28 de abril de 2025: altera a lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990 (Lei Orgânica da Saúde), para estabelecer a atenção humanizada como princípio no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 29 abr. 2025.

BRASIL. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990: dispõe sobre as condições para promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Diário Oficial da União. 1990.

BRASIL. Ministério da Educação. e-MEC: sistema eletrônico de monitoramento de instituições de educação superior [Internet]. Brasília, DF: MEC, 2024. Disponível em: https://emec.mec.gov.br/. Acesso em: 10 ago. 2024.

BRASIL. Ministério da Educação. Resolução nº 3, de 20 de junho de 2014: institui diretrizes curriculares nacionais do curso de Graduação em Medicina e dá outras providências [Internet]. Brasília, DF: MEC; 2014. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=15874-rces003-14&Itemid=30192. Acesso em 28 mar. 2025.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Humanização - PNH [Internet]. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2003. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_humanizacao_pnh_folheto.pdf. Acesso em: 28 mar. 2025.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde (SGTES). Informe técnico ProvMed nº 2: a expansão da oferta de graduação em medicina no Brasil. Brasília, nov. 2020. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/sgtes/acoes-em-educacao-em-saude/provmed/14-informe-tecnico-provmed-no-2.pdf. Acesso em: 03 abr. 2025.

BRASIL. Resolução nº 510, de 7 de abril de 2016: dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em ciências humanas e sociais. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 2016.

CANVA. Canva: design gráfico e ferramenta de apresentação [Internet]. Disponível em: https://www.canva.com/. Acesso em: 12 jan. 2025.

CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Epi Info version 7.2.6 [programa de computador]. Atlanta, GA: CDC, 2025. Disponível em: www.cdc.gov/epiinfo/support/por/pt_downloads.html. Acesso em: 26 abr. 2025.

CHAVEIRO, N.; PORTO, C.C.; BARBOSA, M.A. Relação do paciente surdo com o médico. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, São Paulo, v. 75, n. 1, p. 147–150, fev. 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rboto/a/g8Y96kcNmtxPLZTHh9Zh5bB/. Acesso em: 17 abr. 2025.

CIUFFO, R. S., RIBEIRO, V. M. B. Sistema Único de Saúde e a formação dos médicos: um diálogo possível? Interface: Comunicação, Saúde, Educação, Botucatu, v. 12, n. 25, p. 125–140, 2008. https://doi.org/10.1590/S1414-32832008000100010

FREITAS JÚNIOR, R. A. O. et al. Inclusão do cuidado com a saúde das pessoas com deficiência nos currículos de medicina do Brasil. Revista Brasileira de Educação Médica, Brasília, v. 45, n. 3, 1 jan. 2021. https://doi.org/10.1590/1981-5271v45.3-20210072

HOANG, L. et al. Assessing deaf cultural competency of physicians and medical students. Journal of Cancer Education [internet], v. 26, n. 1, p. 175–182, mar. 2011. http://doi.org/10.1007/s13187-010-0144-4

LEVINO, D. A. et al. Libras na graduação médica: o despertar para uma nova língua. Revista Brasileira de Educação Médica, Brasília, v. 37, p. 291-297, 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbem/a/gYMdRfpj44CZ9WfWS5MKyXk . Acesso em: 31 mar. 2026.

MAPCHART. MapChart: create your own custom maps [Internet]. Disponível em: https://www.mapchart.net/. Acesso em: 14 nov. 2024.

MAZZU-NASCIMENTO, T. et al. Fragilidade na formação dos profissionais de saúde quanto à Língua Brasileira de Sinais: reflexo na atenção à saúde dos surdos. Audiology: Communication Research, São Paulo, v. 25, e2511, 2020. https://doi.org/10.1590/2317-6431-2020-2361

MICROSOFT CORPORATION. Microsoft Excel [programa de computador]. Redmond, WA: Microsoft. Disponível em: https://www.microsoft.com/excel. Acesso em: 10 ago. 2024.

MINANTE, B.I. et al. O aprendizado de Libras na saúde durante o período pandêmico: um relato de experiência. Revista Interdisciplinar de Saúde e Educação, Ribeirão Preto, v. 3, n. 1, p. 205–214, 18 jul. 2022. https://doi.org/10.56344/2675-4827.v3n1a2022.12

OLIVEIRA, A. S. R. et al. Ensino da Língua Brasileira de Sinais durante a graduação em Medicina: a percepção dos futuros médicos. Audiology: Communication Research, São Paulo, v. 27, e2734, 2022. https://doi.org/10.1590/2317-6431-2022-2634

OLIVEIRA, Y. C. A. et al. A língua brasileira de sinais na formação dos profissionais de Enfermagem, Fisioterapia e Odontologia no estado da Paraíba, Brasil. Interface: Comunicação, Saúde, Educação, Botucatu, v. 16, n. 43, p. 995–1008, out./dez., 2012. https://doi.org/10.1590/S1414-32832012005000047

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Human development report 2023-24 [Internet], 2024. Disponível em: https://hdr.undp.org/content/human-development-report-2023-24. Acesso em: 18 abr. 2025.

SANTOS JÚNIOR, C. J. et al. Expansão de vagas e qualidade dos cursos de Medicina no Brasil: “Em que pé estamos?”. Revista Brasileira de Educação Médica, Brasília, v. 45, n. 2, 2021. https://doi.org/10.1590/1981-5271v45.2-20200523

SHIP, H. et al. Shared decision-making at the intersection of disability, culture, and language accessibility: an educational session for medical students. MedEdPORTAL, Washington, DC, v. 20, p. 11396, 2024. https://doi.org/10.15766/mep_2374-8265.11396

SZESZ, A. B. R. et al. I curso de capacitação em língua brasileira de sinais (libras) para futuros profissionais da área da saúde (2017): um relato de experiência. Brazilian Journal of Development, São José dos Pinhais, v. 5, n. 10, p. 20739-20745, 2019. https://doi.org/10.34117/bjdv5n10-252

THE JAMOVI PROJECT. JAMOVI (Version 2.6.25) [Computer Software] [Internet]. 2024. Disponível em: www.jamovi.org/download.html. Acesso em: 26 abr. 2025.

Downloads

Publicado

02-06-2026

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

CHIURATTO, Bianca Caseiro; ROCHA, Sheyla Ribeiro; SOUTO, Bernardino Geraldo Alves; STEFANE, Claudia Aparecida. O ENSINO DA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) NAS ESCOLAS MÉDICAS DO ESTADO DE SÃO PAULO-BRASIL. Hygeia - Revista Brasileira de Geografia Médica e da Saúde, Uberlândia, v. 22, p. e2229, 2026. DOI: 10.14393/Hygeia2279040. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/hygeia/article/view/79040. Acesso em: 4 jun. 2026.