MORTALIDADE CARDIOVASCULAR RELACIONADA À POLUIÇÃO DO AR E FATORES SOCIOECONÔMICOS NO RIO DE JANEIRO, 2001 A 2015
DOI:
https://doi.org/10.14393/Hygeia2278940Palavras-chave:
Poluição do ar, Mortalidade, Doenças do aparelho circulatório, Desigualdade social, Injustiça socialResumo
O objetivo é correlacionar a qualidade do ar nos 23 Bairros do Município do Rio de Janeiro (BMRJ) com a mortalidade por Doenças do Aparelho Circulatório (DAC) e fatores socioeconômicos, a partir de um estudo de série temporal, utilizando dados do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) de Material Particulado (MP2,5), e de óbitos do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) entre 2001 e 2015. Utilizou-se o modelo de regressão linear múltipla para análise entre o MP2,5, mortalidade por DAC e as variáveis socioeconômicas (sexo, idade, escolaridade e Índice de Desenvolvimento Humano). As concentrações de MP2,5 excederam os padrões de qualidade do ar estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) na Resolução nº 506/2024, de 05 de julho de 2024. Em 82,6% das unidades dos BMRJ analisadas, os valores excederam o Padrão Intermediário-4 (PI-4). Destas, 43,5% superaram o limite do Padrão Intermediário-2 (PI-2) com valores até 388% acima do definido pelo Padrão Final (PF). Em 69,5% dos bairros a taxa de mortalidade por DAC foi ≥ 4,0 por 1.000/hab. A análise de regressão para o efeito do MP2,5 na mortalidade por DAC foi (R2= 0,402 com p<0,001), para as variáveis de escolaridade (R2= 0,388, p< 0,001) e IDH (R2= 0,260, p< 0,007). A relação entre o IDH e MP2,5 foi inversa (R2= -0,259 com p=0,007). Os bairros com maiores concentrações de MP2,5 são os de menores IDHs. As concentrações de MP2,5 nos BMRJ, alcançaram percentuais de 144% superiores as normas vigentes no período do estudo, demonstrando relação positiva do MP2,5 com a mortalidade por DAC e relação inversa com os fatores socioeconômicos.
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