O RACISMO AMBIENTAL NA DISTRIBUIÇÃO DOS CASOS DE DENGUE NO DISTRITO FEDERAL: UMA ANÁLISE A PARTIR DA CARTOGRAFIA CRÍTICA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14393/Hygeia78312

Palavras-chave:

Dengue, Cartografia Temática, Milton Santos, Desigualdade Social, Distrito Federal

Resumo

Este artigo analisa a espacialização dos dados na incidência de casos de dengue em 2024 e os indicadores de vulnerabilidade social no Distrito Federal, a partir de uma abordagem da Geografia Crítica e da cartografia temática. Foram utilizados dados da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), do Censo Demográfico de 2010 e de informações preliminares do censo de 2022 do IBGE. Os mapas foram elaborados no software QGIS, considerando variáveis como renda domiciliar, concentração populacional, exposição ao lixo e densidade racial (pretos e pardos). Os resultados evidenciam que as regiões administrativas com maior vulnerabilidade social, como Ceilândia, Samambaia e Santa Maria, concentram os maiores índices de dengue, coincidindo com áreas de predominância de população negra e parda, baixa renda e precariedade de infraestrutura urbana. Essa sobreposição espacial demonstra a existência de racismo ambiental, na medida em que populações historicamente marginalizadas são desproporcionalmente afetadas pelos impactos ambientais e sanitários. Conclui-se que a cartografia crítica constitui uma ferramenta estratégica para subsidiar políticas públicas mais equitativas em saúde coletiva e justiça ambiental.

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Publicado

19-12-2025

Edição

Seção

Edição Especial: III Congresso de Geografia da Saúde de Países de Língua Portuguesa (2024)

Como Citar

BUZATTO, João Lucas; BARROS, Lívia Cristina dos Anjos. O RACISMO AMBIENTAL NA DISTRIBUIÇÃO DOS CASOS DE DENGUE NO DISTRITO FEDERAL: UMA ANÁLISE A PARTIR DA CARTOGRAFIA CRÍTICA. Hygeia - Revista Brasileira de Geografia Médica e da Saúde, Uberlândia, p. e78312, 2025. DOI: 10.14393/Hygeia78312. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/hygeia/article/view/78312. Acesso em: 19 jan. 2026.