DISTRIBUIÇÃO ESPAÇOTEMPORAL E RISCO DE NOVOS CASOS E ÓBITOS POR COVID-19 EM MATO GROSSO, BRASIL, 2020-2023
DOI:
https://doi.org/10.14393/Hygeia2276766Palavras-chave:
SAR-CoV-2, Pandemia, Epidemiologia, Distribuição GeoespacialResumo
Este estudo ecológico descritivo analisou dados clínicos, sociodemográficos e a distribuição geoespacial de casos e óbitos por COVID-19 em Mato Grosso (MT), entre março de 2020 e 2023, obtidos do sistema Indica-SUS. O método bayesiano empírico local e o software GeoDa 1.20 foram aplicados para identificar padrões de risco e distribuição espacial. A incidência média foi de 24.089 casos/100 mil habitantes, com mortalidade de 4,1/100 mil e letalidade de 1,7%. Dentre os 879.706 casos e 15.091 óbitos registrados, 63,1% dos óbitos ocorreram até 2021. As taxas de infecção foram maiores no sexo feminino (54,1%), que se autodeclararam pardos (64,9%), com na faixa etária de 30-39 anos (22,6%). A letalidade foi maior em pessoas do sexo masculino (58,1%) com hipertensão arterial (25,5%) e diabetes (43,3%). As cidades com maior número de notificações foram Cuiabá (17,0%), Várzea Grande (6,8%) e Sinop (4,7%). Identificou-se três clusters de risco para novos casos (RR: 2,05–3,92) em 97 municípios e cinco clusters de risco de óbitos (RR: 1,14–2,48) em 27 municípios. A maior prevalência da infecção ocorreu entre março e agosto de 2020, no Norte e Leste do estado. O risco de novos casos foi maior no Leste e Sudoeste, enquanto os óbitos se concentraram no Sudoeste, Sul e Sudeste. Embora a detecção tenha sido maior entre pessoa do sexo feminino, a mortalidade concentrou-se em pessoas do sexo masculino com comorbidades, evidenciando maior vulnerabilidade clínica desse grupo.
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