SOFRIMENTO PATOGÊNICO DE AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE EM UMA UBSF

Autores

  • Maria Luiza Moraes Rodrigues Universidade Federal de Uberlândia
  • Samuel Carmo Lima Universidade Federal de Uberlândia - Brasil

DOI:

https://doi.org/10.14393/Hygeia153246883

Palavras-chave:

Saúde do Trabalhador, Sofrimento Patogênico, Agente Comunitário de Saúde, Organização do trabalho

Resumo

O presente estudo busca compreender como o desenvolvimento do sofrimento patogênico de ACS se relaciona a organização do trabalho na Estratégia Saúde da Família em decorrência disto os objetivos específicos são: caracterizar o perfil sociodemográfico dos ACS participantes do estudo; analisar a organização do processo de trabalho sob o olhar do ACS e investigar as possíveis situações geradoras de sofrimento no trabalho do ACS. Para tanto se propõe uma abordagem qualitativa, conduzida por meio da observação participante e entrevistas individuais semiestruturadas com agentes comunitários da Estratégia Saúde da Família do Município de Uberlândia - MG. O material selecionado foi submetido à Análise de Conteúdo Temático e interpretado segundo o referencial teórico de Christophe Dejours sobre o sofrimento patogênico, a partir das seguintes categorias temáticas: a) Cotidiano de Trabalho dos ACS; b) Fontes de Prazer no Trabalho, c) Frustrações diante da incapacidade de resolver os problemas; d) Questões que interferem no processo de trabalho. O perfil sócio demográfico na pesquisa evidenciou um predomínio de ACS do sexo feminino, casadas, com ensino superior incompleto, adultos jovens e tempo de atuação entre 25 a 36 meses. A análise do cotidiano de trabalho dos ACS destacou que a principal atividade realizada dentre as que executa é a Visita Domiciliar e que outras determinadas pelo serviço divergem das prescritas pelo Ministério da Saúde. Ficou demonstrado que a satisfação profissional está intrinsicamente ligada a resolutividade de suas ações; a impotência e a incapacidade decorrente da ausência de suporte ou inexistência de ferramentas para atender as demandas da comunidade podem gerar no ACS o sofrimento. Na análise das questões que interferem no processo de trabalho dos ACS e que provocam angústia e insatisfação ficou demonstrado que a culpabilização de um agente externo pela não realização efetiva de seu trabalho é utilizada como estratégia de defesa. Apesar disso, os ACS estão afetivamente ligados ao seu trabalho, o que o torna fonte de sublimação e promotora de saúde. Diante disso propõe-se a reavaliação da organização do processo de trabalho.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ALMEIDA, P. Núcleo de apoio às equipes de saúde da família (NASF): uma breve reflexão. Trabalho de conclusão de curso (Especialização em Atenção Básica em Saúde da Família). Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, Guanhães: 2009

ALONSO, C. M. C.; BEGUIN, P. D.; DUARTE, F.J.C.M. Trabalho dos agentes comunitários de saúde na Estratégia Saúde da família: metassíntese. Rev. de Saúde Pública, vol. 52, São Paulo,2018.

ANDRADE, G.O.; DANTAS, R.A.A. Transtornos mentais e do comportamento relacionados ao trabalho em médicos anestesiologistas. Rev. Bras Anestesiol, v. 65, n. 6, p. 504-510, 2015.

ANDRADE, F.M.O. O Programa de Saúde da Família no Ceará. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública). Universidade Federal do Ceará. Fortaleza. 1998.

AVILA, M. M. M. O Programa de Agentes Comunitários de Saúde no Ceará: o caso de Uruburetama. Ciênc. saúde coletiva, v.16, n.1, p.349-360, 2011.

AZAMBUJA, E.P.; FERNANDES, G.F.M.; KERBER, N.P.C.; SILVEIRA, R.S.S.; SILVA, A.L.; GON

BERNARDES, K. A. G. Qualidade de vida de agentes comunitários de saúde de um município da região oeste do estado de São Paulo. Dissertação (Mestrado) Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto: 2008, 79 f.

BRASIL. 8ª Conferência Nacional de Saúde. Ministério da Saúde. Brasília, DF: Senado Federal. 1986. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/8_conferencia_nacional_saude_relatorio_final.pdf>.

________. Programa Agentes Comunitários de Saúde - PACS. Brasília: Ministério da Saúde. 2001.

________. Lei n. 10.507 de 10 de julho de 2002. Cria a profissão de Agente Comunitário de Saúde e dá outras providências. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Brasília: 2002.

________. Portaria n. 44, de 3 de janeiro de 2002. Define as atribuições dos agentes comunitários de saúde no controle e prevenção da malária e da dengue. Ministério da Saúde. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília; 08 jan. 2002.

________. Legislação do SUS. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Brasília : CONASS, 2003. 604 p. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/progestores/leg_sus.pdf>.

________. 3.ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador:

________. Legislação em saúde: caderno de legislação em saúde do trabalhador. 2ª.ed. rev. e ampl. Ministério da Saúde, Brasília: 2005, 380p.

________. Política Nacional de Atenção Básica. Ministério da Saúde. Brasília; 2006

________. Lei nº 11.350, de 5 de outubro de 2006. Regulamenta o § 5º do art. 198 da Constituição, dispõe sobre o aproveitamento de pessoal amparado pelo parágrafo único do art. 2º da Emenda Constitucional nº 51, de 14 de fevereiro de 2006, e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília-DF, 6 out. 2006b. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11350.htm>. Acesso em: 15 de mar. 2018.

________. Diretrizes do Núcleo de Apoio a Saúde da Família (NASF). Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica, n.27, (Série B. Textos Básicos de Saúde). Brasília: 2009.

CARVALHO, V.L.M. A prática do Agente Comunitário de Saúde: um estudo sobre sua dinâmica social no município de Itapecerica da Serra. Dissertação [Mestrado]. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo; 2002.

DEJOURS, C.; ABDOUCHELI, E.; JAYET, C. (Org.). Psicodinâmica do trabalho. São Paulo: Atlas. 1994.

DEJOURS, C. A Loucura do Trabalho: Estudo de Psicopatologia do Trabalho. São Paulo: Cortez, 1987.

DEJOURS, C. Conferencias brasileira: Identidade, Reconhecimento e Transgressão. Fundap Easp. FGV, São Paulo: 1999.

SILVA, E. R.P.; CAZOLA, L. H. O.; CHEADE, M. F. M. Atuação dos Agentes Comunitários de Saúde na Estratégia Saúde da Família. Cogitare Enferm, v. 17, v. 4, p. 635-644, 2012.

FERRAZ, L.; AERTS, D.R.G.C. O cotidiano de trabalho do agente comunitário de saúde no PSF em Porto Alegre. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 10, n. 2, p. 347- 355, 2005.

FLICK, U. Introdução à pesquisa qualitativa. Porto Alegre: Artmed. 2008.

IBGE. Estimativas da população residente nos municípios brasileiros. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Diretoria de Pesquisa, 2017

KEBIAN, L.V.A.; ACIOLI, S. Visita domiciliar: espaço de práticas de cuidado do enfermeiro e do Agente Comunitário de Saúde. Rev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro; v. 19, n. 3, p. 403- 409, 2011.

KLUTHCOVSKY, A. C. G. C. Qualidade de vida dos agentes comunitários de saúde de um município do interior do Paraná. Dissertação (Mestrado) Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2005, 118 f.

LACAZ, F. A. de C. O campo saúde do trabalhador: resgatando conhecimentos e práticas sobre as relações trabalho-saúde. Caderno Saúde Pública, v. 23, n. 4, p. 757-766, 2007.

LAURELL, A. A saúde-doença como processo social. Revista Latino-americana de Salud, v. 2, p. 7-25, 1982.

LAURELL A.C.; NORIEGA, M. Processo de produção e saúde: trabalho e desgaste operário. São Paulo (SP): Hucitec. 1989.

LIMA, J.M.; QUEIROZ, M.D.; LOPES, G.P.; SANTOS, V.C.P. Promovendo a saúde mental dos agentes comunitários de saúde - oficina de depressão x bem-estar: um relato de experiência. Anais. XV Seminário de Iniciação Científica. 17 a 21 de outubro de 2011. Universidade Estadual de Feira de Santana. Feira de Santana: 2011. Disponível em: http://www.xvsemic.esy.es/upload/2011/2011XV-039JAN636-220.pdf.

LINO, M. M.; LANZONI, G. M. M.; ALBUQUERQUE, G. L.; SCHVEITZER, M. C. Perfil socioeconômico, demográfico e de trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde. Cogitare Enferm. 17(1): 57-64, 2012.

LOPES, D. M. Q.; BECK, C. L. C.; PRESTES, F. C.; WEILLER, T. H.; COLOM

MACHADO, L. M; MATTOS, K. M, COLOM

MANZINI, E. J. A entrevista na pesquisa social. Didática, São Paulo, v. 26/27, p. 149-158, 199c1.

MARTINS, C. L.; OLIVEIRA, L. S. S.; RODRIGUES, M. A.; WATANABE, H. A. W.; JACOMO, Y. A. Agentes comunitários nos serviços de saúde pública: elementos para uma discussão. Revista Saúde Debate. v. 51, p. 38-43, 1996.

MINAYO, M. C. S. (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 2001.

MINAYO, M. C. S. O Desafio do Conhecimento: Pesquisa Qualitativa em Saúde. 10ª ed. São Paulo: HUCITEC, 2007.

MORENO, F. N.; GIL, G. P.; HADDAD, M. C. L.; VANNUCHI, M. T. O. Estratégias e Intervenções no Enfrentamento da Síndrome de Burnout. Rev. Enferm. UERJ. Rio de Janeiro, 19(1):140-145, 2010.

ORGANIZA

QUEIR

RAZZOUK, D.; LIMA, M. G. A.; CORDEIRO, Q.(Org.) Saúde mental e trabalho. São Paulo: CREMESP; 2016. 310 p.

REIS, L. B. Uma análise de dimensão ético-política do trabalho de agentes comunitários de saúde do município de Vitória. Dissertação (Mestrado em Psicologia) Centro de Ciências Humanas e Naturais, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória: 2005, 224 f.

ROSA A.J, BONFANTI A.L, CARVALHO, C.S. O sofrimento psíquico de agentes comunitários de saúde e suas relações com o trabalho. Saúde Soc., 21(1):141-52, 2012.

SELIGMANN-SILVA, E. Desgaste mental no trabalho dominado. Rio de Janeiro: Editora UFRJ; São Paulo: Cortez, 1994.

SANTANA, M.C.C.de. Avaliação da Qualidade de Vida dos Agentes Comunitários de Saúde da Família de Ipojuca, Pernambuco. 2015. Monografia (Residência em Saúde Coletiva)

SANTOS, L.P.G.S. dos; FRACOLLI, L.A. O Agente Comunitário de Saúde: possibilidades e limites para a promoção da saúde. Rev. Esc. Enferm. USP, São Paulo. v. 44, n. 1, p. 76-83, 2010.

SILVA J.A.; Dalmaso, A.S.W. Agente Comunitário de Saúde: o Ser, o saber, o fazer. FIOCRUZ. Rio de Janeiro: 2002.

SILVA, A.T.C. da; MENEZES, P.R. Esgotamento profissional e transtornos mentais comuns em agentes comunitários de saúde. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 42, n. 5, p. 921-929, 2008.

VASCONCELLOS, N. P.; COSTA-VAL, R. Avaliação da qualidade de vida dos agentes comunitários de saúde de Lagoa Santa-MG. Revista APS, v. 11, n.1, p. 17-28, 2008.

WISNER, A. A metodologia na ergonomia: ontem e hoje. in WISNER, A. A inteligência no trabalho. Textos selecionados de ergonomia. Trad. de Roberto Leal Ferreira. FUNDACENTRO, São Paulo: 1994.

Downloads

Publicado

2019-10-22

Como Citar

RODRIGUES, M. L. M.; LIMA, S. C. SOFRIMENTO PATOGÊNICO DE AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE EM UMA UBSF. Hygeia - Revista Brasileira de Geografia Médica e da Saúde, [S. l.], v. 15, n. 32, p. 20–40, 2019. DOI: 10.14393/Hygeia153246883. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/hygeia/article/view/46883. Acesso em: 13 ago. 2022.

Edição

Seção

Artigos