Pôde-se cantar o hiv/aids? A trajetória do vírus e da síndrome no pop rock brasileiro nas décadas de 1980 e 1990

Autores

  • Renato Gonçalves Ferreira Filho

DOI:

https://doi.org/10.14393/artc-v23-n43-2021-64109

Palavras-chave:

música popular brasileira, hiv/aids, cultura brasileira

Resumo

Este artigo objetiva mapear, articular e interpretar as representações do hiv/aids no pop rock brasileiro nas dé- cadas de 1980 e 1990, momento inicial da epidemia da síndrome e do vírus no Brasil. Através de uma perspectiva multidisciplinar, que nos auxilia na interpretação dos processos de significação nas diversas camadas de sentido envolvidas na canção e na sua performance, debruçamo-nos sobre um selecionado repertório de canções lançadas entre 1983 e 1998 na tentativa de tecermos um fio interpretativo que enquadra o hiv/aids na cultura brasileira, desvelando-se os sentidos que envolveram a síndrome e o vírus naquela época. Como resultados, observamos a recorrência dos signos do hiv/aids na música brasileira e a qualidade de tais representações, além de apontarmos para possíveis relações síncronas entre cultura e epidemia,

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Biografia do Autor

Renato Gonçalves Ferreira Filho

Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP). Professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-São Paulo). Autor de Nós duas: as representa- ções LGBT na canção brasileira. São Paulo: Lápis Roxo, 2016. 

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Publicado

2021-12-24

Como Citar

Gonçalves Ferreira Filho, R. . (2021). Pôde-se cantar o hiv/aids? A trajetória do vírus e da síndrome no pop rock brasileiro nas décadas de 1980 e 1990. Artcultura, 23(43), 124–142. https://doi.org/10.14393/artc-v23-n43-2021-64109

Edição

Seção

Minidossiê: Argentina e Brasil: entre a canção romântica e o rock dos anos 80-90