A representação alegórica do Estado em Debret e Pedro Américo

Autores

  • Guilherme Frazão Conduru

DOI:

https://doi.org/10.14393/artc-v22-n41-2020-58642

Palavras-chave:

arte no Brasil (séculos XIX e XX), pintura alegórica, representação do Estado

Resumo

O artigo propõe uma análise iconológica comparada de duas pinturas alegóricas dedicadas à representação do Estado, realizadas em diferentes momentos de busca de consolidação de uma nova ordem política, após rupturas institucionais: o pano de boca para o teatro da corte do Rio de Janeiro na noite de gala da coroação de Pedro I, de Jean-Baptiste Debret, de 1822; e Paz e concórdia, de Pedro Américo, alegoria-exaltação esboçada em 1895 e vendida ao Ministério das Relações Exteriores em 1903, depois de tentativa de exposição no salão parisiense de 1900. Enquanto a obra de Debret procurou representar elementos que seriam característicos do Estado brasileiro, inclusive a diversidade étnica, a tela de Pedro Américo, como alegoriacoringa, representou conceitos universais e conteúdo nacional adaptável.

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Biografia do Autor

Guilherme Frazão Conduru

Doutor em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Autor do livro O Museu Histórico e Diplomático do Itamaraty: história e revitalização. Brasília: Funag, 2013. 

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Publicado

2020-12-26

Como Citar

Frazão Conduru, G. . (2020). A representação alegórica do Estado em Debret e Pedro Américo. Artcultura, 22(41), 57–73. https://doi.org/10.14393/artc-v22-n41-2020-58642

Edição

Seção

Dossiê: História & visualidades