Ciclos míticos do sul

espaço e imaginário em Assim na terra de Luiz Sérgio Metz

Autores

  • Arthur Katrein Mora Universidade Federal do Rio Grande (FURG)

DOI:

https://doi.org/10.14393/TES-v1n2-2019-48208

Palavras-chave:

imaginário, literatura gaúcha, ciclos míticos, Bachelard, Durand

Resumo

Ciclos míticos podem modificar uma linguagem – costumes, imaginário – para além do reconhecimento, alterando profundamente as relações de uma população com a sua terra. Relações estas que transitam entre tradição e progresso, manutenção e destruição, quebra e continuidade, e que permeiam a narrativa de Assim na terra, romance de Luiz Sérgio Metz. O espaço do Rio Grande do Sul, seus edifícios e seus personagens, além de seu processo histórico, encontra na literatura e em seu repertório de mitos, símbolos e tradições, um novo vigor que ilustra o consolo dos eufemismos frente ao esquecimento e a morte. Entre a afetividade poética dos espaços de Gaston Bachelard (1975) e as harmonias e redundâncias da imaginação simbólica de Gilbert Durand (1982;1988;1996), testemunhamos na obra de Metz uma jornada rumo à afirmação da saudade, intuição afetiva que dá sentido ao olvido e aos ciclos míticos da qual deriva.

 

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Publicado

2019-07-09

Como Citar

MORA, A. K. Ciclos míticos do sul: espaço e imaginário em Assim na terra de Luiz Sérgio Metz. Téssera, [S. l.], v. 1, n. 2, p. 33–58, 2019. DOI: 10.14393/TES-v1n2-2019-48208. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/tessera/article/view/48208. Acesso em: 1 dez. 2022.

Edição

Seção

Artigos