O uso de malware como meio de obtenção de provas no processo penal brasileiro
da necessidade de lei específica e a impossibilidade do uso análogo de outros dispositivos processuais
DOI:
https://doi.org/10.14393/RFADIR-53.1.2025.80516.114-137Palavras-chave:
Malware, Provas, Processo penalResumo
O presente estudo tem por objetivo analisar a possibilidade de utilização de malware como meio oculto de obtenção de prova no processo penal brasileiro, investigando sua compatibilidade com os direitos fundamentais à privacidade, à intimidade, à inviolabilidade das comunicações e à legalidade estrita. Para tanto, adota-se o método hipotético-dedutivo, sustentado por revisão bibliográfica especializada e pela análise do precedente paradigmático do Superior Tribunal de Justiça no RHC 99.735/SC, no qual se discutiu a licitude de técnicas digitais invasivas de investigação. A partir desse percurso metodológico, os resultados evidenciam que a inserção de malware em sistemas informáticos – por permitir acesso a dados pretéritos, presentes e futuros, além de possibilitar monitorização domiciliar mediante câmeras e microfones – extrapola o regime jurídico da Lei nº 9.296/1996 e não encontra amparo em normas processuais penais vigentes, inviabilizando qualquer aplicação analógica ou interpretação extensiva que legitime tais práticas. Ademais, demonstra-se que o STJ, ao reconhecer a natureza híbrida e juridicamente atípica desses meios tecnológicos, reafirmou o princípio da legalidade processual, bem como a necessidade de tutela reforçada da intimidade em contexto de “provas de terceira geração”. As conclusões alcançadas indicam que, embora o malware represente instrumento altamente eficiente diante da sofisticação da criminalidade digital, sua utilização no Brasil demanda regulamentação legislativa específica, capaz de delimitar hipóteses taxativas de emprego, requisitos de proporcionalidade e salvaguardas adequadas de controle jurisdicional, sob pena de violação ao Estado Democrático de Direito e às garantias essenciais do processo penal.
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