ANÁLISE ESPACIAL DA CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS ASSISTENCIAIS PARA PESSOAS VIVENDO COM AIDS NO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.14393/Hygeia2174201Palavras-chave:
Assistência social, Seguridade social, Mapeamento geográfico, HIV, Síndrome da Imunodeficiência AdquiridaResumo
Objetivo: analisar os padrões de associação espacial da concessão de benefícios assistenciais para pessoas vivendo com aids no Brasil, entre os anos de 2004 e 2016, com estratificação de dados sociodemográficos. Método: trata-se de estudo do tipo ecológico, com base em dados secundários do Sistema Único de Informações de Benefícios do Ministério do Trabalho e Previdência Social (SUIBE). As análises foram realizadas com uso das técnicas exploratórias de dados espaciais, nomeadamente a autocorrelação espacial, por meio dos índices I de Moran Global e Local. Resultado: as macrorregiões de saúde da região Norte do país se destacaram com as maiores frequências relativas de concessões de benefícios assistenciais e autocorrelação espacial positiva (Alto-Alto), independentemente do sexo e zona de residência dos beneficiários. Nas macrorregiões de saúde da região Norte, juntamente com algumas macrorregiões de saúde da região Nordeste, foram observadas as menores médias de idade no início do recebimento dos benefícios (< 36 anos) e autocorrelação espacial positiva (Baixo-Baixo). Conclusão: estes achados podem nortear a definição de programas e políticas públicas de controle da aids que levem em consideração as disparidades regionais e a capacidade de resposta dos territórios em relação ao avanço da doença.
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