Chamada de trabalhos - Dossiê e Tema livre

2022-05-06

Desde a virada do milênio, ampliou-se consideravelmente o número e o alcance de estudos voltados para as várias formas da mobilidade humana, impulsionados em boa medida pelas grandes ondas de populações em deslocamento, que temos visto nas últimas décadas. Importantes reflexões e obras têm sido escritas sobre as múltiplas facetas do assunto, encampando várias conceituações: diáspora, exílio, migração, estrangeiro – muitas vezes intercruzados com outros conceitos com os quais tendem a estabelecer diálogo, tais como identidade, nacionalidade, comunidade ou espaço. Novos paradigmas segundo os quais o exílio e a diáspora têm sido compreendidos por pensadores recentes como Edward Said, Giorgio Agamben, Jean-Luc Nancy, Robin Cohen, Massimo Cacciari, entre tantos outros.

Uma vez que a maior parte dos estudos sobre diáspora – assim como grande parte da produção acadêmica sobre cultura e identidade na contemporaneidade – trafega geralmente pela língua inglesa (e algumas vezes pela francesa), resulta que a maior parte da discussão acadêmica contempla o exílio numa perspectiva anglófona, o que deixa de fora experiências e reflexões não abarcados por tal viés. No entanto, na cultura lusófona, a elaboração de um imaginário do exílio deu-se em paralelo com elaboração do imaginário da saudade, conferindo-lhe especificidade e possibilidades outras de compreensão da vivência do desterrado. De modo que esse dossiê incorporará igualmente estudos voltados a refletir sobre como a saudade, enquanto noção fundamental da cultura lusófona, motiva ou até mesmo conforma o imaginário estético do exílio e da migração entre os falantes de língua portuguesa.